Criado no Brasil, orelhão foi sucesso mundial e virou astro de cinema

Invenção que moldou o País perde obrigatoriedade em 2026, mas ganhou sobrevida nas telas com o filme 'O Agente Secreto'

Orelhão voltou aos holofotes recentemente como um elemento central do filme 'O Agente Secreto'

Orelhão voltou aos holofotes recentemente como um elemento central do filme 'O Agente Secreto' | Divulgação

A paisagem urbana do Brasil está passando por uma transformação histórica com o início da retirada gradual dos orelhões das calçadas, um processo impulsionado pelo fim dos contratos de concessão da telefonia fixa a partir de janeiro de 2026.

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O que antes era uma obrigação regulatória para garantir o acesso universal à comunicação tornou-se, na era do 5G e das mensagens instantâneas, uma peça de nostalgia que moldou o comportamento social dos brasileiros por mais de cinco décadas.

Contudo, poucos conhecem a origem curiosa e inovadora deste produto. Saiba mais abaixo.

Origem genial e inovadora

Diferente das cabines fechadas de Londres, inadequadas para o calor tropical, o design brasileiro foi criado em 1971 pela arquiteta Chu Ming Silveira. Nascida na China e naturalizada brasileira, ela projetou a icônica cúpula em formato de ovo utilizando fibra de vidro, um material leve e resistente.

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O formato não era apenas estético: a concha acústica permitia bloquear até 70% dos ruídos externos, concentrando o som para o usuário. O sucesso foi tão grande que o design, apelidado carinhosamente de “orelhão” pelo público, foi exportado para diversos países, como Peru, Angola e até mesmo para a China.

Do barulho da ficha ao ‘fim da linha’

Por décadas, o orelhão foi a principal forma de comunicação para milhões de brasileiros/Reprodução/TV Gazeta

Por décadas, o orelhão foi a principal forma de comunicação para milhões de brasileiros, especialmente quando ter uma linha fixa em casa era um luxo declarado no Imposto de Renda. O aparelho criou gírias eternas, como “cair a ficha”, referente ao som metálico que indicava a conexão da chamada.

Nos anos 1990, as fichas foram substituídas pelos cartões indutivos, tornando-se objetos de desejo para colecionadores.

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No entanto, a popularização dos celulares pré-pagos e de aplicativos como o WhatsApp tornou o uso dos telefones públicos obsoleto. Além da mudança de hábito, o vandalismo e os altos custos de manutenção tornaram a rede financeiramente insustentável para as operadoras.

A ‘estrela’ de ‘O Agente Secreto’

O orelhão voltou aos holofotes recentemente como um elemento central do filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, que venceu o Globo de Ouro.

Ambientado na década de 1970, o longa utiliza o aparelho para recriar a atmosfera de tensão e clandestinidade da época, transformando o telefone público em uma marca registrada da produção.

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No filme, a necessidade de usar um telefone fixo na rua resgata a vulnerabilidade e o anonimato que a tecnologia moderna eliminou.

O que muda com o fim das concessões?

Com o encerramento dos contratos em 2026, empresas como Oi, Vivo e Algar não têm mais a obrigação legal de manter os aparelhos nas ruas. A remoção será gradual, embora em regiões remotas onde o sinal de celular é inexistente, alguns orelhões ainda devam permanecer como serviços essenciais.

Apesar do adeus físico, o legado de Chu Ming Silveira sobrevive. Além da memória afetiva, as carcaças estão sendo ressignificadas por designers, transformando-se em itens de decoração retrô, como poltronas e cabines de leitura, provando que o design nacional é capaz de vencer a obsolescência tecnológica.