Por muito tempo, as florestas foram vistas como uma das maiores aliadas do planeta contra o aquecimento global. As árvores absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e ajudam a reduzir a concentração de gases de efeito estufa. Mas uma nova pesquisa põe em dúvida essa questão.
O estudo publicado pela Science Advances sugere que as florestas podem estar armazenando menos carbono do que os cientistas imaginavam. A descoberta levanta dúvidas sobre projeções climáticas futuras e mostra que a capacidade das árvores de ajudar no combate às mudanças climáticas pode ser mais limitada do que se acreditava.
Por que a descoberta chamou a atenção?
A lógica parece simples: se uma árvore faz fotossíntese, ela absorve carbono e cresce. Quanto mais cresce, mais carbono fica armazenado em seu tronco, galhos e raízes.
Com isso, pesquisadores descobriram que esses dois processos nem sempre caminham juntos. Em muitos casos, as árvores continuam capturando carbono da atmosfera mesmo depois de praticamente interromperem seu crescimento anual.
Isso significa que nem todo o carbono absorvido acaba sendo transformado em madeira, que é onde ocorre o armazenamento. Parte desse carbono pode ser direcionada para folhas ou frutos, retornando ao ambiente em períodos muito mais curtos.
Como os pesquisadores chegaram a essa conclusão?
Para entender melhor o comportamento das árvores, os cientistas analisaram 137 áreas florestais nos Estados Unidos.
A pesquisa combinou imagens de satélite, medições de dióxido de carbono nas copas das árvores e sensores instalados nos troncos para monitorar o crescimento em tempo real.

Os resultados mostraram que muitas árvores encerram sua fase principal de crescimento ainda no meio do verão, enquanto a fotossíntese continua acontecendo por vários meses.
Em algumas regiões, mais de um terço da absorção de carbono no ano ocorreu após o crescimento da madeira já ter sido interrompido.
O calor e a seca podem agravar o problema
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a influência das condições climáticas. Segundo o estudo, períodos de calor intenso e seca reduzem rapidamente o crescimento das árvores, mas não interrompem imediatamente a fotossíntese.
Isso cria um desequilíbrio entre o carbono absorvido e o carbono efetivamente armazenado na madeira. Com o avanço das mudanças climáticas, eventos extremos como ondas de calor e estiagens prolongadas tendem a se tornar mais frequentes.
Na prática, isso pode reduzir a eficiência das florestas como grandes reservatórios naturais de carbono ao longo das próximas décadas.






