A Terra já teve florestas antes mesmo de ter grama. Muito antes dos gramados, pastos e campos abertos que hoje parecem naturais, árvores primitivas cresciam em paisagens quase irreconhecíveis.
Fósseis encontrados na Inglaterra revelam uma floresta de cerca de 390 milhões de anos, formada por árvores ocas, baixas e sem folhas modernas. O achado ajuda a imaginar como era o planeta quando a vegetação terrestre ainda estava começando a transformar rios, solos e ecossistemas.
Nesse mundo antigo, não havia flores, gramados ou animais terrestres parecidos com os atuais. O chão era marcado por sedimentos, pequenos organismos, restos vegetais e grupos de árvores primitivas que começavam a mudar a relação entre a água e a terra.
Como eram as florestas antigas?
Essa concepção é baseada em uma descoberta recente feita por pesquisadores das universidades de Cambridge e Cardiff. Os achados datam do período Devoniano, com espécies que pouco lembram as matas atuais.
A vegetação era composta por plantas que hoje parecem misturas de espécies conhecidas.
Entre elas estavam as Eospermatopteris, árvores parecidas com palmeiras e parentes das samambaias, com um tipo de talo em seu topo; as Archaeopteris, mais parecidas com plantas modernas, com tronco lenhoso, folhas verdes achatadas e aspecto de pinheiro; e as Calamophyton, que tinham até quatro metros de altura, tronco oco e não tinham folhas.
Além dessas árvores, não havia outras espécies de plantas nesses ambientes. Mesmo assim, elas foram essenciais para a absorção de CO2 na atmosfera terrestre, o que causou um resfriamento global e criou um ambiente mais propício para o desenvolvimento da vida.
O mundo verde que conhecemos começou com formas simples, pequenas e dependentes de ambientes úmidos (Foto: Pexels)Da floresta primitiva ao mundo das sementes
Depois das primeiras florestas, a vegetação terrestre passou por uma virada decisiva. Aos poucos, algumas plantas desenvolveram uma estratégia que mudaria sua relação com o ambiente: a semente.
Essa novidade permitiu que elas se espalhassem por áreas menos úmidas, sem depender tanto da água para completar o ciclo reprodutivo. A partir daí, a vida vegetal ganhou mais liberdade para ocupar terrenos variados e formar paisagens cada vez mais complexas.
Com o tempo, grupos como coníferas, cicadáceas e ginkgos passaram a marcar presença em diferentes regiões do planeta. Eram plantas ainda sem flores, mas já mais próximas de muitas espécies que sobreviveram até hoje.
As flores apareceriam muito depois, trazendo outra transformação importante. Com elas, a reprodução passou a envolver cores, aromas, frutos e a participação de insetos e outros animais. Já a grama, que hoje parece inseparável da paisagem terrestre, só ganharia força em uma etapa ainda mais recente da história evolutiva.






