Muito antes de ganhar ruas, fantasias e multidões, o Carnaval já existia como prática social ligada a rituais antigos.
A festa atravessou séculos, absorveu costumes pagãos e regras do calendário cristão, até encontrar no Brasil um território onde dança e música passaram a ocupar papel central.
A seguir, confira cinco aspectos da história do Carnaval brasileiro, segundo o National Geographic.
1. Procissões deram origem aos primeiros blocos
As manifestações carnavalescas no Brasil têm relação direta com celebrações populares ligadas ao calendário católico.
De acordo com o artigo A Origem do Carnaval, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, os primeiros blocos surgiram a partir de procissões e festas realizadas nos dias que antecediam a Quaresma.
No Brasil, essas práticas foram influenciadas pelos entrudos portugueses, trazidos no século 17.
As brincadeiras envolviam jogos com água, alimentos e restos orgânicos, marcando uma ocupação intensa do espaço urbano, ainda que de forma desigual entre grupos sociais.
2. Marchinhas embalaram o Carnaval antes do samba
No século 19, quando o Carnaval se espalhou por diferentes camadas da sociedade, as marchinhas dominavam a festa.
O ritmo tinha origem em marchas populares portuguesas, com compasso binário e cadência marcada, como aponta artigo da Universidade Metodista de Piracicaba.
Entre os nomes mais conhecidos do gênero está Chiquinha Gonzaga, autora de Ó Abre-alas.
O samba só passou a integrar o Carnaval com Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, lançada em 1916.
3. O carnaval brasileiro criou a palavra sambódromo
A construção do Sambódromo da Marquês de Sapucaí marcou uma virada no Carnaval carioca.
Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1984, o espaço passou a concentrar os desfiles das escolas de samba, que antes ocorriam em avenidas do centro do Rio.
O termo sambódromo foi difundido por Darcy Ribeiro, então vice-governador do estado. A criação da passarela ajudou a redefinir o formato do espetáculo, como aponta material da prefeitura do Rio de Janeiro.
4. Afoxés moldaram o carnaval como ele é hoje
A presença africana moldou o Carnaval brasileiro de forma decisiva.
Um exemplo são os afoxés, cortejos ligados ao candomblé que carregam referências iorubás em música, vestimentas e instrumentos.
Os cortejos se desenvolveram paralelamente a manifestações como o frevo e o maracatu, fortalecendo a diversidade rítmica da festa.
O primeiro grupo de afoxé surgiu em Salvador, em 1885, com o nome Afoxé Embaixada da África.
5. O maior bloco do mundo começou pequeno
O Galo da Madrugada de Recife começou de forma modesta, com 75 foliões e 22 músicos, em 1978.
Décadas depois, tornou-se o maior bloco de Carnaval do mundo, título reconhecido pelo Guinness Book em 1994 após o bloco reunir cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Em 2018, ultrapassou 2,3 milhões, com dezenas de trios elétricos e bandas. Em 2017, recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, reconhecimento federal de sua importância artística.


