Homem encontra cratera de meteorito de 390 milhões de anos enquanto pesquisava uma viagem no Google Maps e surpreende cientistas

O que parecia apenas um detalhe curioso em um mapa digital acabou levando pesquisadores a investigar uma área remota e revelar uma surpresa escondida por milhões de anos

Observação feita durante o planejamento de uma viagem chamou a atenção de especialistas e resultou na identificação de um raro registro da história da Terra (Foto: Gordon Osinski/Google Earth)

Observação feita durante o planejamento de uma viagem chamou a atenção de especialistas e resultou na identificação de um raro registro da história da Terra (Foto: Gordon Osinski/Google Earth)

Enquanto organizava uma viagem de carro pelo interior do Canadá, um astrônomo amador percebeu um detalhe incomum na tela do computador. Entre trilhas e áreas de floresta vistas pelo Google Maps, uma enorme formação circular despertou sua curiosidade e levantou uma pergunta difícil de ignorar.

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Mesmo sem experiência profissional em geologia, ele decidiu investigar o que havia encontrado. A suspeita parecia improvável, mas foi suficiente para despertar o interesse de pesquisadores, que iniciaram uma série de análises para descobrir a origem daquela estrutura.

Meses depois, a resposta surpreendeu até os especialistas. A formação escondia um registro preservado de um evento que aconteceu há cerca de 390 milhões de anos, muito antes do surgimento dos dinossauros e dos primeiros mamíferos.

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Pesquisa comum terminou em uma descoberta inesperada

Tudo começou no fim de 2023, quando o astrônomo amador Joël Lapointe usava o Google Maps para organizar um roteiro de viagem. Enquanto explorava trilhas florestais ao norte da cidade de Magpie, em Quebec, uma formação perfeitamente circular chamou sua atenção.

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A princípio, ele acreditou que sua impressão estivesse errada. “Eu disse para mim mesmo: ‘Você não descobriu nada, Joël, isso não é possível, eles já devem saber disso’”, relembrou ao The Canadian Press. Mesmo assim, decidiu investigar melhor o que havia encontrado.

Como não localizou a estrutura em bancos de dados de crateras conhecidas, Lapointe entrou em contato com especialistas. Depois de algumas tentativas sem sucesso, um centro de pesquisa francês aceitou analisar a hipótese levantada pelo canadense.

“Para um astrônomo amador que adora se conectar com o espaço e é apaixonado por meteoritos, foi simplesmente incrível”, disse Lapointe sobre o momento em que percebeu que sua suspeita poderia estar correta.

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Cientistas enfrentaram uma expedição cheia de desafios

O caso chegou ao professor Gordon Osinski, da Western University, especialista em crateras de impacto. Acostumado a receber relatos que acabam não se confirmando, ele admite que inicialmente ficou desconfiado da descoberta.

No entanto, o formato circular da estrutura e os primeiros estudos das rochas convenceram o pesquisador de que valia a pena investigar. Em 2025, ele liderou uma expedição até a região, utilizando um hidroavião para alcançar a área remota.

“Não sabíamos bem o que esperar, onde poderíamos desembarcar para chegar à costa e onde poderíamos acampar. Então, estávamos indo para o desconhecido, o que eu gosto — um pouco de aventura”, afirmou Osinski ao The Canadian Press.

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O terreno acidentado tornou o trabalho de campo bastante complexo. Mesmo assim, a equipe encontrou rapidamente sinais que indicavam que a estrutura realmente havia sido formada por um enorme impacto vindo do espaço.

Rochas guardavam a prova que faltava

Para confirmar a origem da cratera, os pesquisadores precisavam encontrar fragmentos do meteorito ou evidências de que as rochas haviam sofrido alterações causadas pela enorme pressão do impacto.

Embora localizar o meteorito fosse considerado improvável devido ao tamanho da cratera, que possui cerca de 25 quilômetros de diâmetro, a equipe encontrou cones de estilhaçamento e rochas de fusão por impacto muito bem preservados.

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Essas formações são consideradas evidências clássicas de colisões entre meteoritos e a superfície terrestre. A análise das amostras revelou ainda que o impacto ocorreu há aproximadamente 390 milhões de anos.

“Acontece que ela é muito mais antiga, então foi uma surpresa”, contou Osinski. Inicialmente, os pesquisadores estimavam que a estrutura tivesse entre 38 e 200 milhões de anos.

Marca deixada antes dos dinossauros

Após conversas com o conselho da comunidade indígena Ekuanitshit Innu, a cratera recebeu oficialmente o nome de Uhackatik. Segundo Osinski, novas crateras de impacto são descobertas apenas uma ou duas vezes por ano em todo o planeta.

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No Canadá, a última confirmação desse tipo havia ocorrido em 2010. Por isso, o novo registro amplia o catálogo nacional de crateras e oferece novas oportunidades para estudar a história geológica da Terra.

Quando recebeu a confirmação dos cientistas, Lapointe precisou manter segredo até que os primeiros resultados fossem divulgados. “Naquele momento, eu estava extremamente feliz, porque era real”, afirmou.

Ao refletir sobre a idade da cratera, o astrônomo amador destacou que o impacto ocorreu muito antes da existência dos dinossauros, dos mamíferos e dos seres humanos.

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“Naquela época, a vida na Terra ainda estava em seus primórdios. Existiam anfíbios primitivos — isso nos leva a uma era completamente diferente. É impressionante que ainda tenhamos vestígios (daquele período) depois de tanto tempo”, finalizou.