Uma cratera na zona sul de SP teve sua origem confirmada por pesquisadores em agosto de 2026, após uma análise mineralógica encontrar marcas produzidas por um impacto de alta energia. O estudo foi realizado na região de Parelheiros, em São Paulo, para esclarecer a formação da estrutura geológica.
Cratera na zona sul de SP tem 3,6 km de diâmetro
A estrutura fica na região de Parelheiros e possui cerca de 3,6 quilômetros de diâmetro. Ela é conhecida como Cratera de Colônia e apresenta uma área central mais baixa.
A formação foi identificada na década de 1960. Porém, a aparência circular não era suficiente para comprovar sua origem. Outras alterações geológicas também podem produzir terrenos semelhantes.
A confirmação ganhou força com uma pesquisa da USP em parceria com o Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo.
Zircão revelou marcas deixadas pelo impacto
Mineral registra alterações causadas por pressão extrema
Os pesquisadores estudaram 40 grãos de zircão retirados de amostras coletadas em sondagens dentro da estrutura. Cada grão tinha cerca de 0,05 milímetro.
O mineral é resistente e consegue preservar alterações ocorridas em condições extremas. Por isso, os cientistas usam o zircão para investigar eventos antigos registrados nas rochas.
Seis grãos passaram por análises microscópicas detalhadas. Os exames encontraram diferentes deformações associadas ao chamado metamorfismo de choque.
Entre elas estavam as planar deformation features, conhecidas como PDFs. Essas estruturas aparecem dentro dos cristais após a passagem de ondas de choque muito intensas.
A pesquisa também identificou textura granular e outras alterações na organização interna dos cristais. Os resultados foram publicados na revista científica Earth and Planetary Science.

Pesquisa ajuda a entender a cratera de Parelheiros
A análise dos minerais também permitiu diferenciar o impacto de outras possíveis explicações para a formação do terreno. As marcas encontradas nos cristais exigem condições de pressão e temperatura muito elevadas.
Segundo os pesquisadores, o estudo amplia o uso do zircão para investigar crateras antigas. Isso é importante porque processos naturais ocorridos ao longo de milhões de anos podem apagar sinais visíveis na superfície.
A ação do intemperismo é especialmente relevante em regiões tropicais. Nesse cenário, evidências microscópicas preservadas nos minerais podem ajudar a reconstruir eventos que já não são facilmente observados no relevo.
Data do impacto ainda pode ser investigada
Os cientistas também pretendem avançar na datação dos grãos encontrados. Essa etapa poderá ajudar a estabelecer quando ocorreu o evento que originou a estrutura.
A Cratera de Colônia já integra registros internacionais de estruturas formadas por impactos. A nova pesquisa acrescenta evidências microscópicas ao conjunto de estudos realizados anteriormente.
A descoberta também reforça a importância de preservar as amostras e continuar as pesquisas na área. O material geológico pode fornecer novas informações sobre a história da região.
A pesquisa completa está disponível na revista Earth and Planetary Science.
