O que define o limite entre a calçada de uma mansão de luxo e o direito de qualquer cidadão de estender sua toalha na areia? Essa é a pergunta central de uma disputa judicial que coloca Brian Littrell, vocalista dos Backstreet Boys, contra uma aposentada de 67 anos na Flórida.
O astro pop move uma ação contra Carolyn Barrington Hill, alegando que ela invade constantemente a faixa de areia situada em frente à sua propriedade, avaliada em R$ 20 milhões.
Para Littrell, a presença da mulher não é apenas um incômodo, mas um incentivo para que outros banhistas ocupem o espaço que ele considera privado.
O limite da maré
A briga jurídica gira em torno de uma linha geográfica específica: a marca da maré alta. Segundo a defesa de Littrell, as leis estaduais determinam que apenas a parte molhada da areia é pública, tornando a área seca atrás de sua residência um espaço exclusivo do imóvel.
Para proteger sua privacidade, o cantor adotou medidas drásticas. Instalou placas de sinalização, espalhou móveis de praia pela orla e contratou seguranças particulares para monitorar e afastar quem tenta permanecer no local.
Após uma primeira tentativa de processo ser arquivada por um juiz no ano passado, o músico insistiu na queixa, apresentando sete novas acusações de invasão de propriedade.
Direito ao lazer ou invasão?
Carolyn Barrington Hill, por sua vez, afirma que frequenta o local há décadas e nunca enfrentou problemas legais até agora.
Sua advogada, Heidi Mehaffey, rebate as acusações classificando-as como “vagas” e desprovidas de evidências que comprovem que a aposentada tenha, de fato, ultrapassado o limite da propriedade privada.
A defesa sustenta que a Constituição da Flórida garante o acesso da população às praias para lazer, independentemente da condição social ou financeira do cidadão.
Segundo Heidi, a cliente não cederá à pressão, reforçando que Carolyn nunca recebeu sequer uma multa por invasão em todos os anos em que visitou a orla.
Impacto na região
O caso agora corre no tribunal do condado de Walton. Mais do que uma briga entre vizinhos, o desfecho desse processo é aguardado com atenção, pois pode abrir um precedente jurídico importante para o uso das praias na região.
Enquanto a justiça decide, a disputa levanta um debate necessário sobre onde termina o privilégio das mansões à beira-mar e onde começa o direito público ao litoral americano.



