Imagens que circularam recentemente nas redes sociais mostram girafas enfrentando uma forte tempestade na reserva de Masai Mara, no Quênia.
No vídeo, os animais estão totalmente expostos à chuva, sem buscar proteção, o que despertou a curiosidade de muitos usuários sobre como eles lidam com esse tipo de situação.
Devido à sua altura e ao ambiente em que vivem, as girafas têm poucas opções de abrigo quando o tempo fecha, semelhante ao que acontece com o gado no Brasil.
Com quase seis metros de altura e acostumadas a áreas abertas, estão entre os mamíferos mais vulneráveis a chuvas intensas, ventos fortes e raios.
Altura protege contra predadores, mas aumenta risco em tempestades
A estatura elevada das girafas ajuda na alimentação e na vigilância contra predadores, mas vira um problema durante tempestades.
Ao contrário de espécies menores, que conseguem se esconder em tocas ou sob vegetação densa, as girafas circulam principalmente por savanas com cobertura limitada. Esse cenário deixa poucas opções de proteção natural.
Especialistas também indicam que, assim como árvores e construções altas, as girafas podem funcionar como pontos de descarga elétrica.
Há registros de mortes causadas por raios em diferentes regiões da África, onde tempestades são frequentes e cada vez mais intensas por causa das mudanças climáticas.
Girafas podem servir de para-raio na natureza
Em 2020, a cientista de conservação Ciska Scheijen descreveu dois casos prováveis de morte por raio em girafas em um artigo publicado no African Journal of Ecology. O estudo foi feito na Reserva de Rockwood, na África do Sul.
Após uma tempestade, Scheijen percebeu que apenas seis das oito girafas que costumavam andar juntas na reserva sobreviveram. Duas fêmeas foram encontradas mortas, uma com cerca de cinco anos e outra mais jovem.
Tudo indica que a girafa mais velha, por possuir ossicones na cabeça que a deixavam mais alta, acabou funcionando como ponto de descarga em um campo aberto. A outra morreu por estar muito próxima e receber parte da corrente elétrica.
“Eu não diria que os ossicones em si atuam como pára-raios, mas a altura imponente das girafas poderia”, disse Scheijen ao portal IFLScience.
“Se elas são o ponto mais alto da região, então as chances são altas de que sejam as que correm maior risco de serem atingidas por raios”, completou.
Elas tentam se proteger da chuva?
Segundo as observações de Scheijen, há pequenas mudanças no comportamento das girafas em dias chuvosos. Elas caminharam cerca de 13% menos em comparação com períodos de tempo seco.
Mesmo reconhecendo que os dados são circunstanciais, obtidos por acaso durante o trabalho de campo, a pesquisadora considera o padrão relevante.
Ela espera que essas pistas estimulem estudos mais detalhados sobre o impacto dos raios na mortalidade de girafas.


