Quando Lisa e Brett Vercoe compraram uma antiga área de pasto no norte da Austrália, em 2020, o terreno ainda carregava as marcas de décadas de criação de gado. A vegetação nativa havia sido reduzida e o solo estava compactado.
Quatro anos depois, o cenário era outro. Mais de 34 mil árvores nativas haviam sido plantadas em 17,5 hectares da propriedade, que começou a recuperar características de floresta subtropical e a oferecer novamente espaço para a fauna local.
De pasto a floresta
O casal decidiu não esperar apenas pela regeneração natural. A área destinada à restauração foi dividida de acordo com características como relevo, exposição ao sol e ao vento, possibilidade de geada e umidade do solo.
Cada trecho recebeu um tratamento específico. Em alguns pontos, foram aplicadas técnicas para melhorar a infiltração da água. Em outros, as mudas foram concentradas próximas às árvores nativas que ainda resistiam na propriedade.
A ideia era formar pequenos núcleos de vegetação capazes de crescer e, com o tempo, se aproximar de outros fragmentos de floresta.
Milhares de mudas
As primeiras mudas chegaram ao terreno em 2022. Até março de 2025, mais de 34 mil árvores nativas já haviam sido plantadas.
Parte delas foi cultivada pelo próprio casal, enquanto parceiros ajudaram a ampliar o trabalho. O processo, porém, esteve longe de ser simples.
Algumas mudas não sobreviveram. Outras precisaram de proteção contra animais, enquanto plantas invasoras competiam com as espécies nativas. Uma queima cultural de baixa intensidade também foi usada para controlar gramíneas invasoras e favorecer a regeneração da vegetação.
Animais começaram a voltar
A recuperação da paisagem também apareceu nos registros da fauna. Ornitorrincos voltaram a surgir nos cursos d’água, enquanto tartarugas e aves de rapina passaram a frequentar a propriedade.
O retorno de duas espécies ameaçadas chamou atenção: a rã-gigante-barrada e o bacalhau-de-água-doce-oriental foram registrados na área restaurada.
A presença desses animais mostrou uma mudança no ambiente que antes tinha pouca vegetação nativa.
Espaço para os coalas

Os coalas estão entre os animais beneficiados pela recuperação do terreno. A espécie depende de árvores específicas para alimentação e precisa de áreas conectadas para circular entre diferentes fragmentos de floresta.
Quando essas áreas ficam isoladas, a movimentação dos animais se torna mais difícil. Estradas também aumentam o risco de atropelamentos, enquanto populações separadas ficam mais vulneráveis a doenças e à perda de diversidade genética.
Por isso, as árvores escolhidas pelo casal ajudam a reconstruir uma paisagem capaz de oferecer alimento e abrigo, além de contribuir para a conexão entre áreas de vegetação.
Uma nova função para a fazenda
A transformação também mudou a relação do casal com a propriedade. Brett passou boa parte da vida ligado ao oceano, trabalhando com registros da vida marinha. Lisa atuava como educadora e cultivadora.
A mudança para o ambiente rural trouxe outro propósito para os dois. Em vez de manter a área associada à criação de gado, eles passaram a trabalhar para recuperar a floresta e criar condições para que diferentes espécies voltassem a ocupar o terreno.
Em quatro anos, o que era uma área marcada pelo uso agropecuário ganhou milhares de novas árvores e sinais de uma paisagem em recuperação.






