Reino Unido lança 6 toneladas de concreto no mar para resgatar ecossistema perdido há 100 anos

Com peças gigantes e muita tecnologia de bioengenharia, projeto busca restaurar recifes de ostras nativas que desapareceram do Mar do Norte desde o século 19

projeto busca restaurar recifes de ostras nativas que desapareceram do Mar do Norte desde o século 19 - Foto: Inteligência Artificial

Uma operação de engenharia ambiental está tentando devolver ao Mar do Norte o que a exploração humana e a poluição destruíram há mais de um século.

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Vinte blocos de concreto texturizado, pesando seis toneladas cada, foram submersos na costa de Tyne and Wear, no Reino Unido, com uma missão vital: servir de base para o retorno das ostras europeias nativas.

O ‘filtro natural’ que o oceano perdeu

Desde o século 19, a população de ostras nativas no Reino Unido sofreu um declínio drástico de mais de 95%. Esse desaparecimento não foi apenas uma perda de espécie, mas o colapso de um sistema de filtragem natural.

O impacto ecológico é mensurável: uma única ostra adulta é capaz de filtrar até 200 litros de água por dia.

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Ao remover poluentes e excesso de nutrientes, esses moluscos limpam a água, permitindo que a luz solar penetre no oceano e estimule o crescimento da flora marinha. Sem os recifes, o equilíbrio do ecossistema local foi profundamente abalado.

Por que usar blocos tão pesados?

A escolha por estruturas de seis toneladas não é por acaso, mas uma lição aprendida com falhas anteriores. Em 2023, uma tentativa de lançar 10 mil ostras sobre recifes mais leves fracassou após tempestades severas dispersarem o material pelo fundo do mar.

Os novos blocos, chamados de Reef Cubes, foram projetados para serem imóveis mesmo sob as piores condições climáticas do Mar do Norte.

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Fabricados com Marine Crete, um material compatível com o ambiente marinho e inovador, cada bloco carrega cerca de 4 mil ostras nativas e possui aberturas internas para abrigar peixes e crustáceos.

A superfície do material não é lisa, possuindo uma rugosidade complexa e poros que imitam rochas naturais, permitindo que a fauna encontre abrigo e se fixe com facilidade.

Nos rios dos Estados Unidos ocorreu uma estratégia parecida, quando o governo norte-americano decidiu jogar troncos nas águas, que passaram a desempenhar funções essenciais dentro dos rios, criando áreas de abrigo e reprodução para os peixes. 

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Uma aposta no futuro da restauração marinha

O projeto é uma colaboração entre a Zoological Society of London (ZSL), o programa Wild Oysters, a organização Groundwork e a empresa ARC Marine, contando ainda com o apoio de voluntários locais.

Embora fases anteriores em outras regiões tenham mostrado que peixes e crustáceos rapidamente ocupam essas estruturas, o grande desafio desta fase é observar se os Reef Cubes evoluirão para um recife autossustentável, capaz de se reproduzir sem nova intervenção humana.

A iniciativa faz parte de um movimento maior: em Norfolk, planeja-se a instalação de 40 mil recifes de argila até o final de 2026, visando criar o maior recife restaurado da Europa.

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O sucesso desses blocos de concreto determinará se este modelo de bioengenharia poderá ser replicado em oceanos ao redor do mundo.