Suplemento com bactérias mortas consegue tirar os microplásticos do corpo humano; entenda o mal que eles fazem dentro de você

Pesquisadores desenvolveram um suplemento feito com bactérias inativas que pode capturar microplásticos no sistema digestivo, embora ainda sejam necessários novos estudos

Primeiro teste em humanos indica que um pós-biótico consegue prender partículas de plástico antes que elas sejam absorvidas pelas células, mas especialistas fazem ressalvas (Foto: Freepik)

Primeiro teste em humanos indica que um pós-biótico consegue prender partículas de plástico antes que elas sejam absorvidas pelas células, mas especialistas fazem ressalvas (Foto: Freepik)

Nos últimos anos, os microplásticos foram encontrados em praticamente todas as partes do corpo humano. Agora, um novo estudo traz um possível caminho para reduzir essa exposição. Um suplemento feito com bactérias mortas apresentou resultados promissores e pode impedir que parte dessas partículas seja absorvida pelo organismo.

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O trabalho, publicado na revista BioRXIV, reúne testes em laboratório e o primeiro experimento realizado com pessoas. Embora os resultados chamem atenção, os próprios cientistas alertam que ainda não há evidências de que o produto elimine os microplásticos do corpo ou reduza riscos à saúde.

Enquanto isso, a descoberta abre uma nova frente de pesquisa sobre um problema que preocupa especialistas em todo o mundo e cuja dimensão ainda está longe de ser totalmente compreendida.

Suplemento criado para capturar microplásticos

O suplemento é um pós-biótico, ou seja, um produto formado por partes de bactérias mortas. Os pesquisadores utilizaram paredes celulares da bactéria Limosilactobacillus fermentum, cuja superfície rugosa funciona como uma espécie de “ímã” para partículas plásticas.

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Durante os testes, os cientistas observaram que os microplásticos aderiam naturalmente às paredes dessas bactérias inativas. Com isso, as partículas deixavam de circular livremente e tinham menos chance de entrar nas células.

A proposta é simples: em vez de agir sobre o plástico depois que ele se espalha pelo organismo, o suplemento tenta capturá-lo ainda no sistema digestivo, antes que seja absorvido.

Por que os microplásticos preocupam os cientistas

Os microplásticos têm menos de 5 milímetros e já foram encontrados no sangue, nos pulmões, no cérebro, na placenta e em diversos outros órgãos humanos. Eles chegam ao organismo principalmente pela água, pelos alimentos e até pelo ar que respiramos.

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Embora ainda não exista uma prova definitiva de que essas partículas causem doenças, estudos recentes apontam uma associação entre sua presença e problemas de saúde. Pesquisas identificaram concentrações maiores de microplásticos em placas nas artérias de pessoas que sofreram infarto ou AVC e também em cérebros de pacientes com Alzheimer.

Ainda assim, os cientistas pedem cautela. Esses estudos mostram apenas uma relação entre os microplásticos e determinadas doenças, mas não comprovam que o plástico seja a causa.

Como resume Eva Berkes, autora do novo estudo, ao NewScientist: “Nós realmente não sabemos o que os microplásticos fazem, mas sabemos que eles não pertencem ao corpo humano.”

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Testes mostraram redução da absorção pelas células

Para verificar se a estratégia funcionava, a equipe simulou diferentes condições do sistema digestivo. Os experimentos indicaram que até 92% dos nanoplásticos ficaram ligados ao pós-biótico de forma espontânea.

Em seguida, os pesquisadores expuseram células semelhantes às do intestino humano aos nanoplásticos. Sem o suplemento, as partículas se acumulavam dentro e na superfície das células. Já com o pós-biótico, essa quantidade caiu de forma significativa.

Os cientistas também investigaram se o produto poderia retirar partículas que já estavam no interior das células. Nesse cenário, houve redução de 43% dos nanoplásticos, possivelmente porque o suplemento captura parte do material durante o processo natural de reciclagem celular.

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Primeiro teste em pessoas chamou atenção

A etapa mais curiosa da pesquisa envolveu voluntários mastigando chiclete, conhecido por liberar milhares de partículas plásticas na saliva durante o uso.

Depois de alguns segundos de mastigação, os participantes colocaram o suplemento em pó na boca. Em uma das análises, a saliva continha 2.152 partículas livres após mascar apenas o chiclete. Com o pós-biótico, esse número caiu para 185.

Segundo Eva Berkes, “Nossos resultados representam a primeira demonstração, em seres humanos, de que um composto capaz de reduzir os microplásticos consegue se ligar a essas partículas”. Apesar do resultado, ela reconhece que ainda faltam estudos para comprovar o efeito no organismo humano.

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Especialistas pedem cautela

Embora os resultados sejam considerados promissores, os pesquisadores destacam que o estudo não demonstrou que os microplásticos capturados deixam de ser absorvidos pelo intestino ou que sejam eliminados pelo corpo.

Além disso, fatores como alimentos, células do sistema imunológico e a própria complexidade do intestino podem alterar o desempenho observado nos experimentos.

Para Martin Wagner, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, o maior desafio continua sendo reduzir a exposição na origem. Afinal, as pessoas entram em contato com microplásticos continuamente por meio da água, dos alimentos e do ar.

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Nesse cenário, remover partículas já presentes no organismo pode ajudar, mas não substitui medidas para diminuir a poluição plástica.