Viver mais de 100 anos já é algo raro. Agora imagine três irmãs da mesma família ultrapassando essa marca e chegando aos 103, 104 e 109 anos. A história impressionante de Zulina de Deus Nunes, Zoraide de Deus Mota e Levita de Deus Nunes está despertando o interesse de pesquisadores e pode ajudar a revelar pistas importantes sobre os fatores que favorecem uma vida longa e saudável.
Em um mundo onde a expectativa de vida cresce, mas as doenças relacionadas ao envelhecimento continuam sendo um desafio, casos como o dessas brasileiras se tornam verdadeiros tesouros para a ciência.
Quem são as irmãs?
As três irmãs foram criadas no Rio de Janeiro e atravessaram mais de um século de transformações históricas, tecnológicas e sociais.
Levita de Deus Nunes, a mais velha, tem 109 anos. Sua irmã Zoraide de Deus Mota chegou aos 104 anos, enquanto Zulina de Deus Nunes completou 103 anos.
Juntas, elas formam um caso extremamente raro, principalmente porque compartilham não apenas os laços familiares, mas também uma impressionante capacidade de envelhecer com longevidade.
A combinação chamou a atenção de especialistas que buscam compreender por que algumas pessoas conseguem viver tanto tempo mantendo qualidade de vida.
O que diz o estudo?
A história das três irmãs se tornou objeto de investigação científica. Elas participam do Projeto DNA Longevo, uma pesquisa liderada pela geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo.
O objetivo do estudo é identificar características genéticas que possam estar associadas à longevidade extrema. Para isso, os pesquisadores analisam o DNA de pessoas que ultrapassaram os 100 anos de idade em busca de pistas que ajudem a entender por que alguns indivíduos envelhecem de forma mais saudável e vivem por mais tempo.
Casos como o das três irmãs são considerados especialmente valiosos para a ciência, já que a presença de múltiplos centenários na mesma família pode indicar fatores hereditários importantes. A expectativa dos pesquisadores é que as descobertas contribuam para o avanço dos estudos sobre envelhecimento saudável e qualidade de vida na terceira idade.
O que a ciência quer descobrir?
Pesquisadores acreditam que a longevidade é resultado de uma combinação de fatores.
Entre os principais estão:
- Genética favorável;
- Alimentação equilibrada ao longo da vida;
- Hábitos saudáveis;
- Baixos níveis de estresse;
- Relações sociais fortes;
- Ambiente favorável ao envelhecimento.
Quando várias pessoas da mesma família atingem idades tão avançadas, a possibilidade de existir uma influência genética relevante ganha ainda mais força.
Por isso, famílias centenárias são frequentemente estudadas por universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo.
A genética é mesmo o segredo?
Embora os genes tenham um papel importante, especialistas alertam que eles não explicam tudo.
Estudos sobre centenários indicam que a herança genética pode representar uma parcela significativa da longevidade, especialmente após os 100 anos. No entanto, fatores ligados ao estilo de vida continuam sendo fundamentais.
Isso significa que mesmo pessoas que não possuem histórico familiar de vida longa podem aumentar suas chances de envelhecer melhor adotando hábitos saudáveis ao longo dos anos.
Por que casos como esse são tão valiosos?
O envelhecimento da população é uma das maiores transformações demográficas do século XXI.
Segundo especialistas, compreender o que permite que algumas pessoas cheguem aos 100 anos ou mais pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para melhorar a saúde de milhões de idosos.
Mais do que aumentar a expectativa de vida, o objetivo é ampliar os anos vividos com autonomia, disposição e qualidade.
Nesse contexto, a história das irmãs Zulina, Zoraide e Levita oferece uma oportunidade rara para que a ciência observe fatores genéticos, ambientais e comportamentais presentes em uma mesma família.



