Uma gigantesca tuneladora terá a missão de atravessar a Cordilheira dos Andes para abrir caminho entre San Juan, na Argentina, e Coquimbo, no Chile. O equipamento será peça-chave na construção do túnel internacional de Agua Negra, uma das obras de engenharia mais desafiadoras da região.
Para enfrentar a Cordilheira dos Andes, a obra prevê o uso de uma tuneladora, conhecida pela sigla TBM (Tunnel Boring Machine). Diferentemente de uma simples perfuratriz, a máquina é concebida para escavar, retirar o material e ajudar a estruturar o túnel à medida que avança.
O resultado é uma operação que combina força mecânica, automação e engenharia de precisão em um ambiente geológico extremamente complexo.
O que é uma tuneladora TBM?
A TBM é uma enorme máquina desenvolvida especificamente para abrir túneis em diferentes tipos de solo e rocha. Na prática, ela funciona como uma espécie de fábrica móvel dentro da própria montanha.
Enquanto a parte frontal destrói a rocha, outros sistemas recolhem os fragmentos e transportam o material para fora da área de escavação. Esse funcionamento permite que várias etapas ocorram de maneira praticamente contínua.
A grande vantagem está justamente nessa integração. Em vez de escavar primeiro para depois realizar todas as etapas de sustentação, a TBM consegue avançar e deixar a estrutura do túnel protegida logo atrás.
Como a máquina vai quebrar a rocha dos Andes?
Na parte frontal da tuneladora fica um dos componentes mais importantes de todo o equipamento: o disco de corte.
Essa enorme estrutura circular é equipada com ferramentas resistentes, incluindo elementos fabricados com carboneto de tungstênio, material conhecido pela elevada dureza e resistência ao desgaste. Quando o disco começa a girar, as ferramentas entram em contato com a rocha.
A pressão exercida sobre a superfície provoca fraturas e fragmenta o material. Conforme o conjunto continua girando, a máquina consegue remover sucessivas camadas da montanha.
Para onde vão as toneladas de rocha retiradas?
Escavar uma montanha é apenas metade do problema. Também é necessário retirar continuamente todo o material que deixa de fazer parte do túnel.

Depois que a rocha é fragmentada na região frontal, os detritos são recolhidos e direcionados para esteiras transportadoras localizadas dentro da própria máquina.
O material percorre o equipamento até chegar à parte traseira, onde pode ser retirado da área de escavação e destinado ao sistema responsável pela remoção dos resíduos.
Esse processo evita que os fragmentos se acumulem atrás da frente de escavação e permite que a máquina continue avançando.
Uma máquina feita sob medida para a montanha
Um dos aspectos mais curiosos das grandes TBMs é que elas não são simplesmente retiradas de uma linha de produção e levadas até o canteiro. Cada máquina precisa ser desenvolvida de acordo com as condições específicas do projeto.
Isso significa considerar fatores como:
- tipo e resistência das rochas;
- diâmetro necessário para o túnel;
- extensão da escavação;
- pressão e condições do terreno;
- sistema de transporte dos materiais;
- método de instalação do revestimento.
Por isso, grandes tuneladoras são projetadas e construídas sob medida em instalações especializadas. Empresas de países como Alemanha, China e Itália estão entre as responsáveis pelo desenvolvimento de equipamentos desse nível de complexidade.






