Uma montanha de 12 mil toneladas de cascas de laranja cobriu a Costa Rica; 16 anos depois, o local estava tomado pela floresta

Experimento dos anos 90 transforma área árida em selva exuberante e aponta caminhos sustentáveis para o uso de resíduos agrícolas

Caminhão com cascas de laranja

Naquela época, mais de mil caminhões despejaram 12 mil toneladas de cascas e polpas de laranja em pastagens áridas/Ilustração/IA

Em meados da década de 1990, uma estratégia inusitada mudou o destino de uma região degradada na Reserva Guanacaste, ao norte da Costa Rica.

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Naquela época, mais de mil caminhões despejaram 12 mil toneladas de cascas e polpas de laranja em pastagens áridas.

Embora o despejo de resíduos parecesse um crime ambiental para alguns, a iniciativa resultou em um dos maiores sucessos de recuperação florestal já registrados.

O acordo estratégico entre ciência e indústria na Costa Rica

A história começou em 1996, quando os ecologistas americanos Daniel Janzen e Winnie Hallwachs propuseram um pacto inovador.

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Eles ofereceram à empresa de sucos Del Oro um acordo de benefício mútuo: a companhia doaria terras para a reserva e, em troca, utilizaria áreas degradadas de pastagem para descartar seus resíduos orgânicos.

Desta forma, a empresa resolveu um problema logístico enquanto os cientistas testavam a hipótese de que a biodegradação das frutas aceleraria a recuperação da floresta tropical.

Interrupção judicial e o esquecimento do projeto

Contudo, o experimento enfrentou resistência precoce. Em 1998, a TicoFrut, uma empresa rival, contestou legalmente a parceria e acusou a Del Oro de “profanar” o parque nacional.

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Consequentemente, o Supremo Tribunal da Costa Rica declarou o contrato ilegal no ano 2000, o que forçou o abandono imediato da área. Durante os 15 anos seguintes, o local permaneceu esquecido e sem estudos significativos.

O surpreendente renascimento da selva na Costa Rica

A situação mudou apenas em 2013, quando o pesquisador de Princeton, Timothy Treuer, decidiu localizar o antigo depósito de lixo.

Ao chegar ao destino, Treuer encontrou uma paisagem irreconhecível: a vegetação densa engoliu até a placa amarela que sinalizava o experimento. Além disso, os cientistas constataram um aumento de 176% na biomassa em comparação com áreas vizinhas.

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Onde antes existia solo seco e grama rasteira, agora florescia uma floresta tropical exuberante repleta de árvores nativas e solo rico no país que entrou cada vez mais nas rotas dos brasileiros.

A ciência por trás da ‘orgia de moscas’

Os pesquisadores explicam que o sucesso da restauração ocorreu devido a um processo biológico intenso. Treuer descreve o fenômeno como uma “orgia de moscas”, onde microrganismos e insetos nativos processaram os resíduos cítricos rapidamente.

Em apenas seis meses, as montanhas de cascas viraram um solo escuro e fértil, o que sufocou gramíneas invasoras e permitiu que árvores nativas retomassem seu espaço.

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Portanto, o experimento provou que resíduos agrícolas podem oferecer uma solução barata e eficaz para reconstruir ecossistemas tropicais ao redor do mundo.