Viagem de 16 mil km sem descanso: conheça a ave que mais voa sem parar

Espécie possui a maior envergadura entre as aves vivas, podendo ultrapassar 3,5 metros de uma ponta a outra da asa

Se o andorinhão vence na duração, o albatroz domina na eficiência e na envergadura

Se o andorinhão vence na duração, o albatroz domina na eficiência e na envergadura | Jjharrison/Wikimedia Commons

O reino animal reserva recordes que desafiam a lógica humana, especialmente quando o assunto é a sobrevivência em mar aberto e a resistência aérea. No meio disto, uma espécie se destaca por ser capaz de ficar 10 meses voando sem pousar: o andorinhão-preto (Apus apus). O albatroz, por sua vez, vence na distância e velocidade.

Continua após a publicidade

Cientistas e observadores de aves têm documentado capacidades que parecem saídas de filmes de ficção científica, como aves que passam quase um ano inteiro sem tocar o solo e outras que utilizam a energia do vento para viajar milhões de quilômetros ao longo da vida.

O maratonista dos ares: 10 meses sem tocar o chão

Um dos feitos mais impressionantes da biologia pertence ao andorinhão-preto (Apus apus)/Alexeysokolov1971/Wikimedia commons

Um dos feitos mais impressionantes da biologia pertence ao andorinhão-preto (Apus apus). Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, descobriram que esta ave é capaz de voar por 10 meses consecutivos sem parar para descansar.

Durante o período de migração, a espécie permanece no ar ininterruptamente, parando apenas para a procriação ao final da viagem.

Continua após a publicidade

Diferente de outras aves que planam para economizar energia, o andorinhão bate as asas constantemente e chega a trocar todas as suas penas durante o voo. 

Embora o albatroz consiga viajar 16 mil km sem descanso, nenhuma outra ave detém o recorde de permanência no ar do andorinhão-preto. 

Osalabtrozes, inclusive, pousam na água quando precisam se alimentar, como foi confirmado em um e-mail à Reuters, Charles Eldermire, líder do projeto Bird Cams do Laboratório de Ornitologia de Cornell,

Continua após a publicidade

Albatroz: o gigante movido a ‘energia eólica’

Um albatroz pode percorrer facilmente entre 500 e 800 quilômetros em um único dia/Reprodução/National Geographic

Se o andorinhão vence na duração, o albatroz domina na eficiência e na envergadura. O albatroz-errante (Diomedea exulans), por exemplo, possui a maior envergadura entre as aves vivas, podendo ultrapassar 3,5 metros de uma ponta a outra da asa.

Essas aves são verdadeiras máquinas de viagem:

  • Alcance diário: um albatroz pode percorrer facilmente entre 500 e 800 quilômetros em um único dia;
  • Eficiência energética: eles utilizam uma técnica de voo que aproveita o vento, gastando menos energia voando do que boiando na água. Possuem até uma articulação especial que “trava” as asas abertas sem esforço muscular;
  • Distância histórica: ao longo de sua vida, um albatroz-errante pode voar mais de 8,5 milhões de quilômetros, o equivalente a 11 viagens de ida e volta à Lua ou 212 voltas completas ao redor da Terra.

Longevidade e rituais de ‘match’

Os albatrozes também se destacam pela fidelidade e longevidade. Os casais costumam permanecer juntos pela vida toda, reencontrando-se a cada estação reprodutiva em ilhas desertas para rituais de dança coordenados.

Continua após a publicidade

Essas aves podem viver até os 80 anos; um exemplo famoso é Wisdom, uma fêmea de albatroz-de-laysan que, aos 70 anos, continua a se reproduzir.

Para sobreviver em alto-mar, eles contam com um olfato apurado para localizar comida na imensidão azul e uma glândula que dessaliniza a água do mar, permitindo que matem a sede com água salgada.

Além da ave que voa por mais tempo sem parar, outra curiosidade fica por conta do único pássaro capaz de voar de trás para frente: o beija-flor.

Continua após a publicidade

O vilão da extinção

Apesar de seus “superpoderes”, os albatrozes enfrentam ameaças críticas que colocam todas as suas espécies sob algum grau de risco de extinção. Entre os principais perigos estão:

  1. Captura incidental: aves que ficam presas em anzóis de pesca de espinhel;
  2. Poluição: ingestão de plásticos nos oceanos;
  3. Espécies exóticas: ratos e gatos que atacam ninhos em ilhas oceânicas.

Para conscientizar o mundo sobre a preservação dessas criaturas, o Dia Mundial do Albatroz é celebrado anualmente em 19 de junho.

A data serve como um alerta para que a humanidade proteja esses seres que, como definiu o ornitólogo Robert Murphy, fazem quem os observa se sentir parte de um “grupo superior de mortais”.