Tábuas de corte, sejam para vegetais ou carnes, são um utensílio básico na casa de todo mundo. Porém, o material da sua tábua pode estar te causando prejuízos e, em alguns casos, ser um perigo para a sua saúde. Especialmente os utensílios feitos de plástico.
O principal motivo para a virada contra o plástico vai além da faca sem fio. Estudos recentes indicam que tábuas plásticas comuns podem liberar microplásticos durante o corte, sobretudo quando já exibem marcas profundas de uso.
O que pesa contra o plástico
O plástico segue popular por um motivo simples: é barato, leve e cabe em qualquer armário. Só que essa praticidade pode ser muito negativa, pois com o avanço das pesquisas sobre partículas liberadas pelo atrito da lâmina contra a superfície.
Quanto mais riscada a tábua, maior tende a ser o desgaste e a liberação de micro resíduos. Essas fendas também complicam a limpeza do dia a dia, porque restos de alimento podem ficar presos ali.
Algo que é especialmente perigoso para resíduos de carnes cruas, que podem levar ao crescimento de colônias bacterianas, como a temível Salmonella, em caso de higienização mal feita.
Por isso, quem ainda usa esse tipo de peça precisa vigiar o estado da superfície. Quando a tábua fica opaca, áspera ou cheia de sulcos, o melhor caminho é substituir. E mesmo se você estiver utilizando esse utensílio, você deve garantir limpezas frequentes com cloro ativo para eliminar possíveis colônias de bactérias incrustadas nos sulcos.
Na rotina da casa, hábitos simples ajudam a reduzir o consumo de microplásticos, e revisar os utensílios é um deles.
Por que o vidro perde
À primeira vista, o vidro parece impecável: não absorve cheiro, passa sensação de limpeza e tem um grande apelo estético. Na prática, porém, ele cobra caro no fio da faca. Pois o vidro apresenta uma dureza maior do que as facas, gerando desgastes a cada corte que aos poucos minam o corte.
Além de desgastar a lâmina, o vidro pode deixar o corte mais barulhento, menos confortável e até mais escorregadio em certos usos. Alguns usuários podem se sentir especialmente incomodados com o som estridente do aço cortando por meio do vidro.
Onde a madeira ganha
A madeira reúne o que mais importa numa tábua de uso diário: estabilidade, conforto no corte, menor agressão à faca e boa vida útil. Porém, é necessária uma rotina de lavagem e secagem completa para impedir riscos a longo prazo.
Há ainda um ponto que derruba um mito antigo. Estudos de microbiologia não sustentam a ideia de que a madeira seja sempre menos higiênica do que o plástico.
O risco real cresce quando qualquer tábua está mal lavada, úmida ou muito marcada, fatores que podem levar à criação de colônias de fungos ou algas na superfície mal higienizada.
Confira o guia da Gazeta para limpar bem tábuas e superfícies que tocaram carne crua, garantindo assim que sua tábua de corte jamais se tornará um empecilho.
Fibras verticais ou horizontais?
Apesar de ser uma coisa que poucas pessoas sabem, existem diferentes tipos de tábuas de madeira, aquelas de grão vertical (end grain) e as de grão horizontal (edge grain).
A diferença vem pela disposição das fibras da madeira na hora da construção da tábua (Fotos: Pexels)Se o orçamento permitir, a de topo leva vantagem no uso contínuo. Ela costuma lidar melhor com marcas de faca e entrega sensação de corte mais macia. Essa sensação surge, pois, como as pontas das fibras estão viradas para cima, o fio da lâmina não as corta, mas as empurra para as laterais, abrindo um vão entre elas, ou seja, “sendo abraçado” pela tábua.
Além disso, esse esquema em que as fibras podem abrir caminhos entre si também é uma vantagem na questão de higienização, pois resíduos líquidos ou microorganismos que penetrem nesses sucos durante o corte serão isolados após as fibras contraírem para sua posição original.
Porém, essa tecnologia é mais cara, enquanto as tábuas de grão lateral apresentam orçamentos mais amigáveis para o consumidor médio, com resultados ainda muito bons em critérios como desempenho e manutenção. Não chega ao mesmo nível da versão de topo, mas ainda entrega experiência muito superior à do vidro e mais estável que a do plástico comum.
Como escolher sem errar
Antes de comprar, vale olhar menos para a propaganda e mais para o uso real da casa. Quatro pontos ajudam bastante:
- prefira madeira dura, com superfície lisa e sem rachaduras;
- reserve uma tábua para carne crua e outra para alimentos prontos;
- troque peças muito riscadas, sobretudo as de plástico;
- lave, seque na hora e guarde em pé, em local ventilado.
Lembre-se também de que tábuas de qualquer material precisam ser trocadas após longos períodos de uso, se apresentarem sulcos muito profundos que possam gerar colônias de patógenos.






