Cemitério de SP lança alternativa à urna tradicional e usa cinzas humanas para reflorestar a Mata Atlântica

Iniciativa pioneira na zona sul de São Paulo une memória afetiva e sustentabilidade ao plantar cinzas humanas com espécies nativas

Espécies que podem ser plantadas no Memorial Parque das Cerejeiras

Espécies que podem ser plantadas no Memorial Parque das Cerejeiras / Divulgação

A cremação vem ganhando espaço entre as escolhas das famílias brasileiras. Com isso, surgem novas formas de dar destino às cinzas.

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A mais recente delas vem da zona sul de São Paulo, onde o Memorial Parque das Cerejeiras passou a oferecer o plantio de cinzas humanas junto às mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em uma área de preservação ambiental.

A iniciativa, a primeira do tipo na capital paulista, é uma aposta do espaço para os tradicionais columbários, espaços destinados à guarda de urnas cinerárias.

Em vez de permanecerem armazenadas ou mantidas pelas famílias, as cinzas passam a integrar um projeto de enriquecimento do cinturão verde do cemitério, em uma área de preservação ambiental de mais de 150 mil m².

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“Estamos acompanhando uma evolução do mercado e indo além dos padrões tradicionais de sepultamento. Isso já vem sendo impulsionado pelo crescimento da cremação e pela busca por experiências de acordo com as histórias de cada família. Muitas não querem guardar as cinzas, e o plantio em uma área reflorestada atende a essa demanda para preservar a memória do ente querido e preservar o meio ambiente”, avalia Daniel Arantes, diretor do Memorial Parque das Cerejeiras.

O processo começa com a utilização de uma urna biodegradável, produzida a partir de folhas de bananeira, areia compactada e fibras vegetais.

A urna é enterrada junto a uma muda de espécie nativa, escolhida pela família entre opções como palmito-juçara, jatobá, grumixama, jequitibá-branco e farinha-seca.

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A área destinada ao projeto passou por um processo de recuperação ambiental, em que milhares de árvores foram plantadas em ações de reflorestamento de áreas degradadas para restaurar a biodiversidade local.

Segundo Arantes, a proposta do plantio de cinzas, que começou no início do mês, já tem recebido as primeiras famílias adeptas.

“São pessoas que desejam associar a memória de familiares a uma ação de preservação ambiental. O plantio pode ser realizado independentemente do tempo da cremação”, explica.

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Antes da cerimônia, a equipe do cemitério prepara o local e organiza o ritual. Durante o plantio, familiares são acompanhados por um jardineiro e um cerimonialista.

Ao final, recebem um certificado com o nome da pessoa homenageada, a espécie escolhida e a geolocalização da árvore. O serviço completo, incluindo a cerimônia de plantio, custa R$ 1.680.