As gorduras são frequentemente vistas como vilãs da alimentação, especialmente pelo medo do aumento do colesterol. Nem todos os tipos, no entanto, são realmente maléficos ao organismo.
Alguns tipos de gordura, quando consumidos em excesso, podem aumentar os riscos de doenças cardiovasculares. Por outro lado, há gorduras que são essenciais para o bom funcionamento do organismo.
Segundo o cardiologista e professor da Faculdade Santa Marcelina, Juliano Cardoso, o mais importante não é eliminar completamente as gorduras da dieta, mas entender suas diferenças e adotar um estilo de vida equilibrado.
Diferentes tipos de gordura
“Nem toda gordura faz mal”, explica o professor. Segundo ele, há três tipos de gordura: saturada, trans e aquelas consideradas boas para a saúde.
“As gorduras saturadas, presentes principalmente em carnes gordurosas, embutidos, manteiga e laticínios integrais, podem elevar o colesterol LDL quando consumidas em excesso”, revela.
“Já as gorduras trans, encontradas em ultraprocessados, são ainda mais prejudiciais porque aumentam o LDL e reduzem o HDL”.
“Por outro lado, gorduras boas, como as do azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes, ajudam a proteger o coração”, finaliza o especialista.
Essencial, mas perigoso em excesso
O colesterol é uma substância essencial ao organismo, mas seus níveis elevados representam um fator de risco cardiovascular.
“O LDL, conhecido como colesterol ruim, pode se depositar nas artérias e formar placas que aumentam o risco de infarto e AVC”, explica Juliano.
O professor continua: “Já o HDL atua de forma protetora, removendo o excesso de colesterol da circulação. Também precisamos considerar os triglicerídeos, que quando elevados aumentam ainda mais o risco cardiovascular”.
Doença silenciosa e perigosa
Um dos principais desafios do colesterol alto é a ausência de sintomas.
“O colesterol elevado costuma ser silencioso; na maioria das vezes, não há sinais até que ocorra uma complicação grave, como infarto ou AVC”.
“Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar mudanças no estilo de vida ou tratamento antes que ocorram danos às artérias”, alerta.
A alimentação influencia o colesterol, mas não é a única causa de níveis elevados. Segundo o professor, existe influência genética, além de fatores como sedentarismo, obesidade, diabetes, hipotireoidismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e envelhecimento.
“Em alguns casos, como na hipercolesterolemia familiar, o colesterol pode estar muito elevado mesmo com hábitos saudáveis”, explica o cardiologista.
Ainda de acordo com ele, medidas simples podem ter impacto significativo na prevenção de doenças cardiovasculares.
Adotar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir ultraprocessados e gorduras saturadas, praticar atividade física, manter o peso adequado e não fumar são medidas fundamentais. Também é essencial controlar pressão arterial, diabetes e níveis de estresse.






