Especialistas revelam os ultraprocessados que você pode comer sem culpa

Embora muitos sejam nocivos, alguns ultraprocessados trazem praticidade e nutrientes importantes, segundo especialistas

Especialistas explicam quais ultraprocessados podem ser incluídos na rotina sem comprometer a saúde do coração

Especialistas explicam quais ultraprocessados podem ser incluídos na rotina sem comprometer a saúde do coração | Foto: Reprodução/Freepik

Os alimentos ultraprocessados (AUPs) carregam uma fama negativa, mas isso não significa que todos sejam iguais.

Continua após a publicidade

Um novo parecer científico da American Heart Association (AHA) questiona a ideia de que todo ultraprocessado seja, por definição, nocivo à saúde.

Continua após a publicidade

Embora muitos desses produtos estejam associados a riscos, o documento — divulgado na revista Circulation — apresenta uma visão mais detalhada.

Continua após a publicidade

As características dos AUPs bons

Para os especialistas da associação, alguns AUPs têm melhor qualidade nutricional e podem ser incluídos em um padrão alimentar equilibrado.

Continua após a publicidade

Normalmente, ultraprocessados contêm altas quantidades de gorduras saturadas, açúcares adicionados e sódio, fatores que elevam o risco de infarto, AVC, obesidade, inflamação, diabetes tipo 2 e problemas nos vasos sanguíneos.

Continua após a publicidade

Ainda assim, conforme destacou a nota da associação, esses alimentos são feitos com “métodos que prolongam a validade, controlam microrganismos, reduzem toxinas químicas, preservam características nutricionais e de sabor”.

Continua após a publicidade

Apesar das evidências de que produtos ultraprocessados de baixa qualidade fazem mal, o relatório sugere que alguns deles podem ser consumidos moderadamente sem comprometer a saúde.

Continua após a publicidade

Ultraprocessados mais saudáveis e menos saudáveis

Nichola Ludlam-Raine, nutricionista e autora do livro How Not To Eat Ultra-Processed, revela quais produtos podem fazer bem.

Continua após a publicidade

“São aqueles que, mesmo passando por processamento, mantêm nutrientes importantes como fibras, proteínas, vitaminas e minerais, e apresentam quantidades reduzidas de açúcares, gorduras prejudiciais e sódio”.

Continua após a publicidade

Entre os exemplos de ultraprocessados mais saudáveis estão:

Continua após a publicidade
  • Pães integrais
  • Cereais matinais ricos em fibras
  • Alguns laticínios
  • Bebidas vegetais fortificadas

Já os menos saudáveis, segundo Ludlam-Raine, costumam ter baixo valor nutricional e excesso de gordura saturada, sal, açúcar ou aditivos, o que pode favorecer o consumo exagerado de calorias.

Continua após a publicidade

“A diferença essencial está nos ingredientes utilizados e no perfil nutricional, não apenas no fato de serem processados”, acrescentou.

Continua após a publicidade

Samantha Peterson, nutricionista funcional e fundadora da Simply Wellness, tem opinião semelhante. Para ela, os ultraprocessados mais prejudiciais incluem:

Continua após a publicidade
  • Refrigerantes e outras bebidas açucaradas
  • Salgadinhos e snacks refinados
  • Macarrão instantâneo
  • Carnes processadas

“Esses produtos geralmente apresentam açúcares ou amidos de rápida absorção, gorduras inflamatórias, sódio em excesso e aditivos variados”.

Continua após a publicidade

“Essa combinação pode causar picos de glicose, desequilíbrio intestinal, inflamação persistente e maior risco de doenças cardíacas, diabetes e cânceres específicos”, emenda.

Continua após a publicidade

Ela destacou ainda que o consumo contínuo de ultraprocessados pobres em nutrientes pode contribuir para obesidade, resistência à insulina, hipertensão, colesterol alto, alterações na microbiota intestinal e risco elevado de doenças cardiovasculares e câncer.

Continua após a publicidade

Como avaliar os rótulos dos alimentos

Se alguns ultraprocessados oferecem pouco ou nenhum benefício, outros podem trazer nutrientes essenciais e praticidade para quem tem rotina corrida.

Continua após a publicidade

Por isso, especialistas orientam observar com atenção os valores nutricionais e analisar a lista de ingredientes.

Continua após a publicidade

“Na hora de escolher, recomendo procurar pães ou cereais que ofereçam pelo menos 3 gramas de fibras por porção”, indicou Ludlam-Raine.

Continua após a publicidade

Ela acrescentou que também vale priorizar opções como iogurtes com 5 a 10 g de proteína e com pouco ou nenhum açúcar adicionado.

Continua após a publicidade

Outro ponto positivo é optar por alimentos fortificados. De acordo com a nutricionista, produtos enriquecidos com cálcio, vitamina D, B12, ferro e iodo ajudam a complementar a dieta com nutrientes-chave.

Continua após a publicidade

Na dúvida, “listas de ingredientes mais curtas e compostas por itens conhecidos geralmente são um bom indicativo — embora não seja uma regra absoluta”, afirmou.

Continua após a publicidade

De forma semelhante, Peterson destacou que é positivo quando os primeiros ingredientes listados são alimentos integrais, como aveia, feijão, leite ou peixe.

Continua após a publicidade

Exemplos práticos de escolhas melhores

Ter uma lista clara de opções pode ser útil. Ludlam-Raine apontou alguns ultraprocessados que podem ser consumidos com mais tranquilidade, entre eles:

Continua após a publicidade

Cereais matinais integrais fortificados: boas fontes de fibras, ferro e vitaminas do complexo B, desde que sem adição de açúcar.

Continua após a publicidade

Leites vegetais fortificados (como soja ou amêndoa, sem carragenina): normalmente enriquecidos com cálcio e iodo, essenciais especialmente para quem não consome laticínios.

Continua após a publicidade

Leguminosas enlatadas, como feijão ou grão-de-bico: embora sejam classificados como AUPs por causa do enlatamento e aditivos, são boas fontes de proteínas vegetais e fibras; lavar bem ajuda a reduzir o sódio.

Continua após a publicidade

Pães integrais industrializados: quando com baixo teor de sal e açúcar, fornecem fibras e carboidratos complexos.

Continua após a publicidade

Iogurtes naturais ou gregos com culturas vivas: podem beneficiar a flora intestinal e a saúde dos ossos.

Continua após a publicidade

Segundo a especialista, esses alimentos contribuem de forma positiva para a ingestão de nutrientes, além de oferecerem praticidade, algo importante para manter uma alimentação equilibrada.

Continua após a publicidade

Consumo equilibrado dos ultraprocessados

Muitos produtos industrializados garantem praticidade, acessibilidade e nutrientes relevantes, sobretudo para quem dispõe de pouco tempo ou orçamento restrito.

Continua após a publicidade

Exemplos como feijões enlatados, pães integrais e leites vegetais fortificados oferecem fibras, proteínas e vitaminas com preparo mínimo.

Continua após a publicidade

Peterson destacou que “o processamento, por si só, não deve ser visto como algo negativo.” Processos como congelamento, fortificação e enlatamento podem preservar nutrientes e até beneficiar a saúde pública.

Continua após a publicidade

Ambas as especialistas ressaltaram que o segredo está no equilíbrio.

Continua após a publicidade

Trocar refrigerantes por água com gás, ou pão branco por integral, além de planejar refeições simples que unam alimentos frescos, congelados e ultraprocessados de melhor qualidade, já representa uma grande mudança.

Continua após a publicidade

Ludlam-Raine sugere adotar a regra 80:20 — 80% da alimentação composta por alimentos in natura e 20% reservados para ultraprocessados mais adequados.

Continua após a publicidade

Já os menos saudáveis devem ser consumidos apenas em ocasiões específicas. Usar um diário alimentar pode ajudar a identificar pequenas mudanças com impacto significativo.

Continua após a publicidade

Fazer escolhas equilibradas de ultraprocessados pode permitir usufruir da praticidade da indústria sem abrir mão da saúde a longo prazo.