Uma decisão tomada por duas das maiores escolas de negócios do País levantou o debate acerca do uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula. A Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Insper anunciaram a proibição de celulares durante as aulas de seus cursos.
O veredito foi dado com base em indícios e hipóteses de que o uso dos aparelhos esteja deixando os estudantes mais dispersos e com dificuldade de aprendizado. Mas será que a não utilização dos celulares pode realmente impactar a experiência em sala de aula?
Os impactos da proibição no aprendizado
A relação entre celulares e o prejuízo no aprendizado é um assunto investigado por diversas pesquisas internacionais, já que a dificuldade de dar aulas por conta do uso excessivo dos smartphones é algo apontado por universidades mundo afora.
Um estudo desenvolvido em 2024 por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e de Copenhague, na Dinamarca, buscou demonstrar o impacto de medidas como as adotadas pelas faculdades brasileiras na prática.
Com a participação de aproximadamente 17 mil alunos de universidades indianas, os cientistas dividiram os estudantes em dois grupos. Em um, o acesso ao celular era irrestrito, enquanto no outro, os celulares eram coletados obrigatoriamente em todo início de aula.
Ao fim da pesquisa, que monitorou os boletins e comportamento dos jovens, os autores do estudo notaram que a medida apresentou resultados positivos. Foi constatado que no grupo sem o celular houve uma melhora no desempenho das avaliações, sobretudo em grupos de alunos com baixas notas, ingressantes e estudantes de humanas.
Proibição nas escolas de ensino básico
No início do ano passado, uma medida semelhante foi tomada valendo para o ensino básico. O Governo Federal determinou por meio da Lei 15.100/2025 o recolhimento dos celulares dos alunos durante as aulas.
O decreto também gerou polêmicas e resistência por parte de alguns jovens e seus responsáveis. Entretanto, a medida se mantém em vigência atualmente.
Assim como a proibição no ensino superior, a medida apresenta resultados positivos para o aprendizado. Em um levantamento feito pela Frente Parlamentar Mista da Educação, 83% dos estudantes brasileiros passaram a prestar mais atenção aos conteúdos sem o celular.
Perguntas Frequentes sobre a proibição de celulares (FAQ)
Por que a FGV e o Insper proibiram celulares em sala?
As instituições tomaram a decisão com base na hipótese de que o uso dos aparelhos causa dispersão e prejudica o aprendizado dos estudantes, dificultando a concentração durante as aulas.
A proibição de celulares realmente melhora as notas dos alunos?
Sim. Um estudo de 2024 com 17 mil universitários mostrou que os grupos de alunos que não usavam o celular em aula tiveram uma melhora no desempenho em avaliações, especialmente entre aqueles com notas mais baixas.
Existe uma lei nacional que proíbe celulares nas escolas?
Sim, a Lei 15.100/2025 determina o recolhimento de celulares dos alunos durante as aulas no ensino básico em todo o território nacional, visando melhorar a atenção e o ambiente de aprendizado.
Quais alunos são mais impactados positivamente pela proibição?
Pesquisas indicam que a proibição beneficia principalmente os alunos com notas mais baixas, estudantes ingressantes (calouros) e aqueles matriculados em cursos da área de humanas.
Qual a principal justificativa para a resistência contra a proibição?
Parte da resistência vem de jovens e responsáveis que veem o celular como uma ferramenta de comunicação e segurança. Além disso, há o argumento de que os aparelhos poderiam ser integrados como ferramentas de aprendizado, em vez de serem banidos.



