Falar sozinho – aquele hábito que muitos fazem escondido ou com certo constrangimento – pode, na verdade, ser um bom sinal de saúde mental.
“Todos precisamos conversar com alguém interessante, inteligente, que nos conheça bem e esteja do nosso lado. Essa pessoa somos nós mesmos”, defende a psicoterapeuta Anne Wilson.
O que a ciência já comprovou
Segundo Lupyan, experimentos mostram que falar sozinho pode, por exemplo, melhorar a memória e acelerar a identificação de objetos.
Em um teste, participantes que nomearam objetos em voz alta – como “banana” – os localizaram mais rapidamente em uma tela do que aqueles que permaneceram em silêncio.
“Mesmo que saibamos como é uma banana, dizer a palavra ativa no cérebro informações adicionais sobre o item, como sua aparência e contexto”, explica o especialista.
Essa técnica não é exclusiva para adultos. Crianças costumam se guiar falando sozinhas ao realizar tarefas rotineiras, como amarrar os sapatos ou se vestir.
Esse tipo de fala funciona como um recurso cognitivo que facilita a aprendizagem e a autodisciplina.
Benefícios vão além da memória
A auto-fala também pode ser uma aliada na regulação emocional, na organização do pensamento e na tomada de decisões.
Quando colocamos ideias em palavras, conseguimos organizá-las melhor, o que facilita resolver problemas e lidar com dilemas do cotidiano.
Estudos publicados na revista Harvard Business Review indicam que falar de si mesmo na terceira pessoa ajuda a reduzir a ansiedade e a aumentar a confiança.
Isso porque cria uma sensação de distanciamento emocional, permitindo uma visão mais objetiva das situações.
Além disso, frases de autoafirmação – como “eu consigo” ou “vai dar certo” – ajudam a manter o foco e a motivação, especialmente diante de desafios.
Falar sozinho pode até simular uma conversa real, trazendo sensação de companhia e ajudando na preparação para interações sociais.
Quando prestar atenção
Apesar de todos os benefícios, os especialistas alertam: se a prática começar a interferir nas atividades do dia a dia ou se transformar em algo compulsivo, pode ser hora de procurar um profissional.
Como qualquer comportamento, o equilíbrio é fundamental. Em tempos em que o silêncio interior é cada vez mais raro, talvez conversar consigo mesmo seja um passo importante para o autoconhecimento e para manter a mente afiada.
**texto com informações da Infobae



