Por que cães comem cocô? O que realmente diz a ciência

Entenda por que a coprofagia em cães é mais comum do que parece, o que a ciência já descobriu sobre o hábito de comer fezes e quando é preciso buscar ajuda veterinária.

Estudos mostram que a coprofagia canina costuma estar ligada a fatores comportamentais e herdados, e nem sempre indica doença ou dieta ruim — veja quando se preocupar e como manejar o problema.

Estudos mostram que a coprofagia canina costuma estar ligada a fatores comportamentais e herdados, e nem sempre indica doença ou dieta ruim — veja quando se preocupar e como manejar o problema. Foto: Ilustração/Gazeta

Por que cães comem cocô é uma dúvida que causa nojo, preocupação e, muitas vezes, culpa nos tutores. Mas a ciência mostra que a chamada coprofagia canina é bem mais comum do que se imagina.

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De acordo com algumas pesquisas feitas em diferentes países, cerca de 50% dos cães apresenta esse comportamento, que costuma estar ligado a diversos fatores como: traços de personalidade, ambiente e até mesmo aprendizado com outros animais.

Ao mesmo tempo, o hábito pode trazer riscos de parasitas, interferência em exames de fezes e dificuldade de controlar na rotina. Entender o que a ciência já sabe sobre o tema é importante para decidir quando apenas manejar o comportamento e quando procurar um veterinário quando procurar um veterinário.

O que é coprofagia em cães

A coprofagia é o comportamento de o comportamento de ingerir fezes, podendo envolver tanto as próprias fezes do cão (autocoprofagia) quanto as fezes de outros cães ou de outras espécies, como gatos, animais de criação e até humanos, segundo trabalhos publicados em revistas de comportamento e medicina veterinária.

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Levantamentos feitos com questionários em tutores indicam que entre cerca de 16% e 28% dos cães podem apresentar coprofagia frequente ou recorrente, enquanto muitos outros têm episódios ocasionais ao longo da vida, de acordo com estudos citados em artigos científicos recentes entre cerca de 16% e 28% dos cães

Quão comum é o hábito de comer fezes

Em grandes inquéritos populacionais, os pesquisadores observaram que a coprofagia não é um comportamento raro ou restrito a cães com histórico de abandono ou má alimentação, mas aparece em diferentes raças, idades e tipos de manejo.

Os dados mostram que uma parcela dos animais tem esse comportamento de forma repetida, enquanto outros apresentam apenas episódios pontuais, o que indica que não existe um único perfil de cão coprófago e que vários fatores costumam atuar ao mesmo tempo.

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Quais fezes os cães preferem comer

Estudos apontam que muitos cães que comem fezes preferem fezes de outros cães bem frescas, geralmente com até dois dias de deposição, o que sugere um padrão relativamente específico de escolha e não apenas “qualquer fezes” disponíveis no ambiente.

Quando têm acesso livre a ambientes externos, alguns animais também ingerem fezes de outras espécies, como gatos ou animais de produção, o que aumenta o risco de exposição a parasitas e reforça a importância de controle ambiental e supervisão na rotina o risco de exposição a parasitas

  • Fezes muito frescas, em especial de outros cães.
  • Fezes de outros animais, em áreas abertas ou rurais.
  • Fezes que ficam acessíveis em quintais, canis ou caixinhas de areia.

Possível origem evolutiva do comportamento

Uma das hipóteses discutidas em artigos científicos é que a coprofagia em cães possa ter raízes evolutivas herdadas do lobo, como uma forma de “limpar” o ambiente dos filhotes, removendo fezes antes que ovos de parasitas se tornem infectantes.

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Segundo pesquisadores que analisaram esse comportamento em diferentes contextos, comer fezes muito frescas poderia ter ajudado a reduzir a carga de parasitas nas tocas e abrigos, favorecendo a sobrevivência do grupo e tornando o hábito vantajoso em determinados cenários naturais.fatores evolutivos e herdados

Influência do comportamento e da convivência

Trabalhos recentes mostram que cães descritos pelos tutores como muito “comilões” ou motivados por comida aparecem com mais frequência entre os animais coprófagos, o que sugere que traços individuais de personalidade podem contribuir para manter o hábito.

Pesquisas também indicam que viver com outro cão que já tem coprofagia aumenta o risco de o animal aprender a mesma conduta, apontando para um componente de aprendizado social e imitação no desenvolvimento do comportamento de comer fezes.aprendizado social e imitação

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Além disso, a coprofagia costuma ser relatada junto a outros comportamentos orais, como comer plantas ou objetos, e a sinais de ansiedade, reforçando a ideia de que, em parte dos casos, o cão pode usar o ato de ingerir fezes como forma de aliviar estresse ou buscar estímulo.sinais de ansiedade

Fatores médicos e nutricionais

Revisões sobre o tema destacam que, embora a coprofagia canina possa, em alguns casos, estar ligada a doenças que afetam a digestão, parasitas intestinais ou deficiências nutricionais, isso não é a regra em cães saudáveis e bem alimentados avaliados em estudos de campo.

Em experimentos que compararam cães coprófagos e não coprófagos, pesquisadores não encontraram diferenças significativas na digestibilidade dos nutrientes ou em indicadores de fermentação fecal, o que sugere que o comportamento, muitas vezes, não é motivado por uma “fome nutricional” facilmente detectável em exames.fome nutricional facilmente detectável

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Quais riscos a coprofagia pode trazer

Para os tutores, a principal preocupação é o aspecto repulsivo do comportamento e o medo de que o cão contraia verminoses ou outras doenças, já que fezes podem carregar ovos de parasitas, bactérias e vírus capazes de causar problemas gastrointestinais.

Pesquisadores também chamam atenção para um ponto menos óbvio: cães coprófagos podem gerar falsos positivos em exames de fezes, porque ingerem ovos de parasitas que pertencem a outro animal, o que pode confundir a interpretação dos resultados laboratoriais.falsos positivos em exames de fezes

Por que é tão difícil “curar” o hábito

Relatos de tutores e levantamentos em larga escala mostram que estratégias populares, como colocar pimenta nas fezes, usar broncas intensas ou recorrer a coleiras aversivas, tendem a ter taxas de sucesso muito baixas, muitas vezes abaixo de 5% dos casos avaliados.

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Suplementos específicos vendidos com a promessa de “acabar com a coprofagia” também costumam apresentar resultados inconsistentes, e não há evidência robusta de que apenas mudar a formulação da ração resolva o problema na maioria dos animais.

Estratégias de manejo mais eficazes

Os especialistas costumam recomendar um conjunto de medidas práticas de manejo para reduzir a oportunidade de o cão comer fezes, como recolher as fezes imediatamente, controlar o acesso a áreas onde outros animais defecam e usar guia em ambientes externos.

Outra orientação frequente é evitar punições diretas ao cão quando ele defeca no lugar errado, focando em reforçar positivamente o comportamento desejado e oferecer mais estímulo físico e mental, por exemplo por meio de passeios, brinquedos interativos e treino com recompensa.

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Quando procurar ajuda veterinária

Mesmo sendo um comportamento relativamente comum, a coprofagia em cães merece avaliação veterinária sempre que surgir de forma súbita, vier acompanhada de perda de peso, mudança de apetite, diarreia, vômitos ou outros sinais de doença.

O profissional poderá investigar possíveis causas médicas, como doenças que afetam a absorção de nutrientes ou a presença de parasitas intestinais, e, se necessário, encaminhar o caso para um especialista em comportamento animal para um plano de manejo mais detalhado.