Um levantamento da plataforma Crime Brasil, com exclusividade à Gazeta, apontou que o bairro de Moema, um dos mais nobres de São Paulo, registrou 250% mais criminalidade que o Grajaú, localizado no extremo sul da cidade, no período entre maio de 2025 e abril de 2026. Os dados levam em conta o número de ocorrência por morador.
O estudo levou em consideração dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e apontou que Moema, que possui cerca de 82 mil residentes, registrou 5.226 crimes, contra 7.030 ocorrências do Grajaú, que conta com cerca de 385 mil moradores, nos mesmos 12 meses.
Os números são puxados por furtos e roubos de patrimônios, responsáveis por 91,9% do total de crimes em Moema, contra 77,3% da mesma ocorrência no Grajaú.
Onde ocorrem os furtos em Moema e no Grajaú
Em Moema, as avenidas Pedro Álvares Cabral e Ibirapuera, que contornam o Parque Ibirapuera, concentram sozinhas 20% de tudo que é registrado pela SSP.
Veja os detalhes no mapa abaixo:
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
No Grajaú, as ocorrências da avenida Dona Belmira Marin representam 13% dos casos.
Veja os detalhes:
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
Especialista em Direitos Humanos critica falta de punições a criminosos
Para Adilson Paes de Souza, coronel da reserva e mestre em Direitos Humanos pela USP (Universidade de São Paulo), os dados expõem a dificuldade, e incompetência, segundo ele, do estado em solucionar os problemas de crimes no Brasil de um modo geral.
“Para mim, consiste na materialização da falência da segurança pública que, literalmente, não proporciona segurança para ninguém. Bairros pobres e ricos padecem do mesmo mal. O estado é incompetente, se nega a analisar os motivos desta falência e corrigir rumos. A preocupação é sempre com a próxima eleição e nada mais. Dane-se o interesse público e o bem comum”, aponta Adilson.
O que diz o governo de São Paulo
Procurada pela reportagem, a SSP afirmou que “as estratégias de policiamento são planejadas de forma individualizada, com base em análises de inteligência, tecnologia e atuação integrada entre as polícias” e apontou práticas tomadas para tentar conter os avanços da criminalidade em São Paulo.
Confira a nota na íntegra:
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que não é correto comparar regiões distintas, pois cada uma possui características sazonais e geográficas próprias. Por esse motivo, as estratégias de policiamento são planejadas de forma individualizada, com base em análises de inteligência, tecnologia e atuação integrada entre as polícias.
Os dados oficiais da SSP mostram que os roubos em geral na cidade de São Paulo apresentaram queda de 12,5% nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2025, passando de 42.604 para 37.247 ocorrências. No mesmo período, as forças de segurança prenderam ou apreenderam 19,8 mil infratores e retiraram de circulação 1,1 mil armas de fogo ilegais. Nas regiões citadas, as ações conjuntas das polícias Civil e Militar possibilitaram a detenção de mais de 4.915 mil suspeitos e a apreensão de 242 armas de fogo. Além disso, o bairro do Grajaú registrou redução de 26, 82% nos crimes de roubo, enquanto a área do bairro Moema apresentou queda de 16,57% nesse tipo de delito.
Entre as medidas recentes para reforço das ações policiais na Capital estão a entrega de 251 novas viaturas e 4,2 mil armamentos, com o objetivo de fortalecer a capacidade operacional das forças de segurança e aumentar a sensação de segurança da população.
Todos os crimes contra a vida são acompanhados por meio do SP Vida, sistema que permite a análise individualizada de cada ocorrência e subsidia a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento desses crimes. Como resultado dessas ações, a capital registrou queda de 9,62% nos homicídios dolosos nos cinco primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Cabe destacar, ainda, que o Estado de São Paulo possui a menor taxa de homicídios do país, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Esse resultado reflete os investimentos contínuos em inteligência policial, tecnologia, monitoramento e integração operacional.
