Mapa do crime em São Paulo: Moema tem 250% mais criminalidade que o Grajaú, aponta estudo

Estudo realizado pelo 'Crime Brasil' analisou dados entre os meses de maio de 2025 e abril de 2026

Bairro de Moema, um dos mais nobres de São Paulo, registrou 5.226 crimes entre os meses de maio de 2025 e abril de 2026

Bairro de Moema, um dos mais nobres de São Paulo, registrou 5.226 crimes entre os meses de maio de 2025 e abril de 2026 (Crédito: Yuri Villaça/Gazeta de SPaulo)

O bairro de Moema, um dos mais nobres de São Paulo, registrou 250% mais criminalidade que o Grajaú, localizado no extremo sul da cidade, no período entre maio de 2025 e abril de 2026. Os dados levam em conta o número de ocorrência por morador.

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Segundo levantamento da plataforma Crime Brasil com exclusividade à Gazeta, que leva em consideração dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Moema, que possui cerca de 82 mil residentes, registrou 5.226 crimes, contra 7.030 ocorrências do Grajaú, que conta com cerca de 385 mil moradores, nos mesmos 12 meses.

Os números são puxados por furtos e roubos de patrimônios, responsáveis por 91,9% do total de crimes em Moema, contra 77,3% da mesma ocorrência no Grajaú.

Onde ocorrem os furtos em Moema e no Grajaú

Em Moema, as avenidas Pedro Álvares Cabral e Ibirapuera, que contornam o Parque Ibirapuera, concentram sozinhas 20% de tudo que é registrado pela SSP.

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Veja os detalhes no mapa abaixo:

Vias de Moema com mais ocorrências registradas, mai/2025 – abr/2026
Número absoluto de registros por logradouro, após padronização de grafia.
clique em uma barra para ver o detalheFonte: SSP-SP, mai/2025 a abr/2026, após padronização de grafia.
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br

No Grajaú, as ocorrências da avenida Dona Belmira Marin representam 13% dos casos.

Veja os detalhes:

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Vias do Grajaú com mais ocorrências registradas, mai/2025 – abr/2026
Número absoluto de registros por logradouro, após padronização de grafia.
clique em uma barra para ver o detalheFonte: SSP-SP, mai/2025 a abr/2026, após padronização de grafia.
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br

Estatísticas se opõem em relação a homícidios

Se Moema lidera as estatísticas quando o assunto é roubo patrimonial, o cenário se inverte em relação a crimes violentos, que abrangem homicídio, lesão e latrocínio (roubo seguido de morte).

O bairro do Grajaú registra 14,4% (35 casos) de seus dados dentro deste quadro, contra 4,5% (5 casos) de Moema. Já em relação ao consumo de drogas, Grajaú fica com 2,7% das ocorrências, contra 0,4% de Moema.

Segundo o Crime Brasil, o Grajaú tem 34,5% mais ocorrências que Moema em números absolutos e o triplo da proporção de crime violento. Ainda assim, aparece 63 posições abaixo de Moema no ranking dos distritos de São Paulo por taxa a cada 100 mil habitantes.

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Composição das ocorrências por tipo, mai/2025 – abr/2026
Percentual dentro de cada bairro.
clique em uma barra para ver o detalheFonte: SSP-SP, mai/2025 a abr/2026.
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br

Dez distritos de maior taxa da cidade são centrais, comerciais ou polos de serviço; nenhum é periférico

O estudo do “Crime Brasil” identificou ainda que o bairro da Sé aparece com 35.226 ocorrências por 100 mil habitantes. Na outra ponta da lista estão Jaraguá, Jardim Helena, São Rafael, Iguatemi e Marsilac — todos periféricos, todos residenciais.

Moema, com 6.381, está no 21º lugar. O Grajaú, com 1.827, no 84º.

Assim, o entendimento da plataforma aponta que o padrão aparece três vezes seguidas, em três escalas diferentes, sempre na mesma direção: onde há mais gente de passagem, a taxa sobe; onde quase todos são moradores, ela cai.

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Distritos da capital com maior taxa de ocorrências, mai/2025 – abr/2026
Ocorrências por 100 mil habitantes. Os primeiros colocados são distritos centrais ou comerciais.
clique em uma barra para ver o detalheFonte: SSP-SP, mai/2025 a abr/2026. População: IBGE Censo 2022.
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br

Especialista em Direitos Humanos critica falta de punições a criminosos

Para Adilson Paes de Souza, coronel da reserva e mestre em Direitos Humanos pela USP (Universidade de São Paulo), os dados expõem a dificuldade, e incompetência, segundo ele, do estado em solucionar os problemas de crimes no Brasil de um modo geral.

“Para mim, consiste na materialização da falência da segurança pública que, literalmente, não proporciona segurança para ninguém. Bairros pobres e ricos padecem do mesmo mal. O estado é incompetente, se nega a analisar os motivos desta falência e corrigir rumos. A preocupação é sempre com a próxima eleição e nada mais. Dane-se o interesse público e o bem comum”, aponta Adilson.

Na visão do coronel da reserva, as leis atuais não amedrontam criminosos, por saberem que não receberão punições mais graves, o que impede a redução dos índices de um modo geral.

“A impunidade é a força motriz da atividade delitiva. Isso foi ensinado para nós, por Cesare Beccaria em 1764. Mais de 250 anos depois a lição não foi aprendida. Insiste-se em pseudo soluções que mais agravam do que contribuem para atenuar o problema. Menciono algumas|: redução da maioridade penal, agravamento de penas, encarceramento em massa, apoio e estímulo à letalidade policial, vale dizer, quantos mais pessoa mortas pela PM , maior seria a sensação de segurança”, diz.

“Tudo isso não é verdade, tanto é que a situação só piora. Políticos e pessoas formadoras de opinião populistas e mentirosas usam e abusam deste discurso. Os índices de esclarecimento de delitos são pífios, a pessoa que comete crime sabe que não será presa, processada e punida nos termos da lei”, completa Adilson.

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O que diz o governo de São Paulo

Procurada pela reportagem, a SSP afirmou que “as estratégias de policiamento são planejadas de forma individualizada, com base em análises de inteligência, tecnologia e atuação integrada entre as polícias” e apontou práticas tomadas para tentar conter os avanços da criminalidade em São Paulo.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que não é correto comparar regiões distintas, pois cada uma possui características sazonais e geográficas próprias. Por esse motivo, as estratégias de policiamento são planejadas de forma individualizada, com base em análises de inteligência, tecnologia e atuação integrada entre as polícias.

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Os dados oficiais da SSP mostram que os roubos em geral na cidade de São Paulo apresentaram queda de 12,5% nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2025, passando de 42.604 para 37.247 ocorrências. No mesmo período, as forças de segurança prenderam ou apreenderam 19,8 mil infratores e retiraram de circulação 1,1 mil armas de fogo ilegais. Nas regiões citadas, as ações conjuntas das polícias Civil e Militar possibilitaram a detenção de mais de 4.915 mil suspeitos e a apreensão de 242 armas de fogo. Além disso, o bairro do Grajaú registrou redução de 26, 82% nos crimes de roubo, enquanto a área do bairro Moema apresentou queda de 16,57% nesse tipo de delito.

Entre as medidas recentes para reforço das ações policiais na Capital estão a entrega de 251 novas viaturas e 4,2 mil armamentos, com o objetivo de fortalecer a capacidade operacional das forças de segurança e aumentar a sensação de segurança da população.

Todos os crimes contra a vida são acompanhados por meio do SP Vida, sistema que permite a análise individualizada de cada ocorrência e subsidia a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento desses crimes. Como resultado dessas ações, a capital registrou queda de 9,62% nos homicídios dolosos nos cinco primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Cabe destacar, ainda, que o Estado de São Paulo possui a menor taxa de homicídios do país, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Esse resultado reflete os investimentos contínuos em inteligência policial, tecnologia, monitoramento e integração operacional.