Após mais de uma década de atrasos, mudanças no projeto e paralisações, o governo de São Paulo marcou para esta terça-feira (31/3), a inauguração da linha 17-Ouro do monotrilho, na Zona Sul da capital.
A cerimônia de inauguração contará com a presença do governador Tarcísio de Freitas e integrantes da gestão estadual, responsável pela retomada das obras após a interrupção registrada em 2019.
O funcionamento começa de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa. A operação inicial será feita de forma gradual.
O modelo faz parte da chamada operação assistida, período em que o sistema passa por ajustes finais com passageiros.
Desde sexta-feira (20/3), a linha já está em operação branca, fase em que o Metrô de São Paulo realiza testes com trens, equipamentos e equipes ao longo do trajeto.
Neste primeiro momento, o monotrilho deve operar com dois trens em circulação e outros dois de reserva, com intervalos médios de sete minutos.
O trajeto inicial terá sete estações entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi, com integração à linha 9-Esmeralda.
A estação Washington Luís deve ficar de fora da inauguração. A expectativa é que toda a linha esteja em funcionamento completo em até 90 dias.
Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o local ainda precisa passar por novos testes antes de ser liberado, principalmente por conta do modelo operacional em formato de “Y”.
Ligação com aeroporto e integrações
A Linha 17-Ouro será a primeira do sistema metroviário paulista a se conectar diretamente a um aeroporto.
Passageiros poderão acessar o Aeroporto de Congonhas por meio de um túnel subterrâneo sob a avenida Washington Luís, e sem utilizar escadas.
Além disso, haverá integração com a Linha 5-Lilás, na estação Campo Belo, ampliando as conexões na zona sul.
Outro ponto do projeto é o uso das estações como passarelas sobre a Avenida Jornalista Roberto Marinho. Mesmo quem não for utilizar o transporte poderá atravessar a via pelas estruturas, sem pagar tarifa.
Tempo de viagem e capacidade
O tempo estimado de percurso entre as estações Morumbi e Aeroporto de Congonhas será de cerca de 20 minutos durante a operação inicial.
Os trens da linha são menores e mais leves em comparação ao metrô convencional. Cada composição conta com cinco carros, 60,8 metros de comprimento e capacidade para até 616 passageiros.
O interior foi projetado com espaço mais aberto, janelas panorâmicas, iluminação em LED e ar-condicionado.
Custo da obra
A Linha 17-Ouro será entregue com oito estações e custo total estimado em R$ 5,8 bilhões.
Considerando a extensão de 8,3 quilômetros, o valor médio é de cerca de R$ 698 milhões por quilômetro, próximo ao custo de linhas de metrô convencional, que variam entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão por quilômetro.
Mesmo com custo semelhante, a capacidade é menor. Linhas como a 3-Vermelha, por exemplo, transportam cerca de 870 mil passageiros por dia, segundo dados recentes.
Estações da linha 17-Ouro
O ramal contará com oito estações:
- Washington Luís
- Aeroporto de Congonhas
- Brooklin Paulista
- Vereador José Diniz
- Campo Belo
- Vila Cordeiro
- Chucri Zaidan
- Morumbi
Expansões previstas
O projeto da Linha 17-Ouro ainda prevê duas expansões futuras. A primeira será entregue nesta terça.
A segunda fase deve ligar a estação Morumbi, da linha 9-Esmeralda à estação São Paulo-Morumbi, da linha 4-Amarela. O trecho terá 6,9 quilômetros e cinco estações, com início das obras previsto para 2028.
Já a terceira fase prevê a extensão a partir da estação Washington Luís até Jabaquara, com integração à linha 1-Azul e ao Corredor ABD de trólebus.
Esse trecho terá 4,2 quilômetros e também cinco estações, com obras previstas para começar em 2029.
Histórico de atrasos
A linha 17-Ouro foi planejada inicialmente para a Copa do Mundo de 2014, com um projeto que previa 18 quilômetros de extensão entre o Jabaquara e o Morumbi.
Ao longo dos anos, o empreendimento passou por paralisações, revisões no traçado, redução de extensão e aumento de custos, atravessando diferentes gestões do governo estadual até chegar à fase final de entrega.
