O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) admitiu nesta quinta-feira (2/7) que o aumento das falhas nas linhas concedidas do sistema metroferroviário preocupa o governo de São Paulo.
Durante a inauguração do primeiro trecho da Linha 6-Laranja, o chefe do Executivo afirmou que o Estado prepara uma ampla modernização tecnológica para reduzir as panes e melhorar a operação dos trens.
Segundo Tarcísio, os problemas enfrentados atualmente vão além da rotina operacional.
Governo aponta problemas estruturais
Na coletiva, o governador afirmou que parte das interrupções ocorre por deficiências históricas da infraestrutura ferroviária.
“Nós temos uma série de questões que são de ordem estrutural. A gente tinha defeito de via permanente, problema de centro de alimentação, ausência de subestação e falta de aterramento.”
Segundo ele, havia trechos da rede que sequer contavam com aterramento elétrico adequado, o que aumenta a vulnerabilidade do sistema, especialmente durante períodos de chuva.
“Nós chegamos nessa altura do campeonato sem aterramentos, por exemplo, em diversos pontos da rede aérea que precisava ter. São coisas básicas, mas que as linhas não tinham.”
Sistema europeu promete reduzir intervalos
Como resposta aos problemas, Tarcísio anunciou uma modernização da comunicação e da sinalização ferroviária, processo que classificou como uma “intervenção silenciosa”.
Segundo ele, o Estado está implantando um sistema europeu para aumentar a eficiência da operação.
“Estamos trazendo o sistema europeu, o mais moderno que temos hoje, para o sistema de comunicações das nossas linhas de trens.”
O governador afirmou que a expectativa é reduzir o intervalo entre composições.
“O objetivo é diminuir o intervalo entre trens de 6 ou 7 minutos para 3 minutos e meio.”
Reconhecimento facial também será ampliado
Outra medida anunciada é a integração das estações do Metrô e da CPTM à Muralha Paulista.
Segundo Tarcísio, o governo ampliará o uso de câmeras com reconhecimento facial para localizar foragidos da Justiça.
“Com relação à segurança, a gente vai ter a integração do metrô, das estações da CPTM com a Muralha Paulista.”
As declarações foram feitas durante a inauguração da Linha 6-Laranja, que entrou em operação assistida nesta quinta-feira com seis estações e funcionamento gratuito em horário reduzido.
Maior obra de mobilidade da América Latina
Orçada em cerca de R$ 19 bilhões, a Linha 6-Laranja é considerada a maior obra de mobilidade urbana em execução na América Latina.
O ramal contará com 15 estações e ligará a Brasilândia, na zona norte, à Liberdade, na região central de São Paulo.
As seis estações abertas inicialmente serão João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes.
Nesta fase inicial, os trens circularão das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira, sem cobrança de tarifa.
A linha é a primeira parceria público-privada (PPP) do Metrô paulista. A construção e a futura operação são de responsabilidade da concessionária Linha Uni, liderada pela empresa espanhola Acciona.
O restante do trajeto deverá ser entregue de forma gradual até 2027.
