Ônibus escolar elétrico estreia na rede pública de ensino

Projeto-piloto na rede pública atende estudantes do ensino especial e abre caminho para frotas escolares ecológicas

O Distrito Federal deu o primeiro passo para o futuro do transporte escolar no Brasil. Já está em operação experimental o primeiro ônibus escolar 100% elétrico da rede pública de ensino do país (Foto: Divulgação, TCB)

O Distrito Federal iniciou a operação experimental do primeiro ônibus escolar totalmente elétrico em circulação na rede pública de ensino do país. O projeto é conduzido pela TCB (Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília) e atende estudantes do Centro de Ensino Especial 01 (CEE 01), no Guará, em trajetos entre a Estrutural e o Guará.

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A iniciativa coloca Brasília entre as primeiras capitais brasileiras a testar a eletromobilidade no transporte escolar público, setor que ainda avança lentamente no país em comparação ao transporte urbano convencional.

Tecnologia será testada em condições reais

Durante a fase piloto, equipes técnicas do Governo do Distrito Federal (GDF) acompanham indicadores como autonomia das baterias, tempo de recarga, desempenho em trajetos urbanos e custos de manutenção.

A proposta é usar os dados coletados para orientar futuras licitações e avaliar a inclusão de exigências ambientais em contratos do transporte escolar.

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O modelo também servirá como base para estudos sobre expansão da frota elétrica em outras regiões administrativas do DF.

O atendimento prioritário para alunos do Ensino Especial

O ônibus foi escolhido para operar em uma rota voltada ao transporte de estudantes da educação especial, o que levou à adoção de adaptações específicas de acessibilidade.

Ele conta com rampas de acesso, espaço reservado para cadeiras de rodas, embarque facilitado para alunos com mobilidade reduzida.

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Outro diferencial observado pela equipe técnica é o funcionamento silencioso do modelo elétrico. Sem motor a combustão, o ônibus praticamente elimina ruídos e vibrações durante o trajeto.

A característica pode melhorar o conforto de estudantes com sensibilidade auditiva e reduzir o desgaste físico diário nos deslocamentos escolares.

Ônibus roda até 200 km com uma única carga

O veículo utilizado nos testes é o Ankai OE-9, produzido pela fabricante chinesa Ankai, ligada ao grupo JAC Motors, e trazido ao Brasil por meio de parceria com o Grupo SHC.

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De acordo com a TCB, o ônibus possui autonomia aproximada de 200 quilômetros por carga completa, volume considerado suficiente para cumprir toda a operação diária da linha.

A recarga integral das baterias leva cerca de três horas e meia e é realizada na garagem da operação.

Expansão da frota elétrica esbarra no investimento

Apesar dos ganhos ambientais e operacionais, o preço segue como principal obstáculo para ampliar a tecnologia.

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Hoje, um ônibus elétrico pode custar entre R$ 1,5 milhão e R$ 3,4 milhões, valor até três vezes superior ao de modelos movidos a diesel.

Por outro lado, estudos do setor apontam forte redução nos custos operacionais ao longo dos anos. A economia com energia pode chegar a 75%, enquanto a manutenção tende a ser mais barata devido à menor quantidade de componentes mecânicos sujeitos a desgaste.

A expectativa do mercado é que o investimento inicial seja compensado entre seis e oito anos de uso contínuo.

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Brasília aposta em transporte de baixa emissão 

O projeto escolar elétrico surge em meio ao avanço da eletromobilidade no transporte público brasileiro.

Capitais como São Paulo, Salvador, Goiânia e Porto Alegre já operam parte de suas frotas urbanas com veículos elétricos ou de baixa emissão.

No caso do transporte escolar, porém, a adoção ainda acontece de forma pontual no Brasil.

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O GDF também avalia novas linhas de financiamento e parcerias para ampliar o número de veículos elétricos e instalar carregadores em garagens das empresas responsáveis pelo serviço.