Alemanha endurece regras contra entrada de imigrantes

A movimentação dos últimos dias mostra os esforços da Europa para reformar as regras de asilo e migração do bloco e reduzir a migração irregular

A aeronave teria decolado de Monte Alto, segundo os bombeiros, que não confirmaram o destino da viagem

As deliberações, acordadas com os 16 líderes estaduais da Alemanha após uma bateria de reuniões que começou na tarde de segunda (6) | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O primeiro-ministro alemão Olaf Scholz costurou, nesta terça-feira (7), um acordo com várias medidas para tornar o país europeu menos atrativo para imigrantes. A decisão foi vista como uma tentativa de conter o apoio à extrema direita na Alemanha, que viu a entrada de estrangeiros se avolumar após o início da Guerra da Ucrânia.

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As deliberações, acordadas com os 16 líderes estaduais da Alemanha após uma bateria de reuniões que começou na tarde de segunda (6) e entrou na madrugada de terça, incluem regras que facilitam a deportação e reduzem a ajuda financeira para migrantes, na contramão da política de portas abertas da ex-primeira-ministra Angela Merkel.

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“Nosso objetivo comum é combater a migração irregular”, disse Scholz, descrevendo o acordo como um “momento histórico”.

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O objetivo do encontro era conseguir o apoio dos líderes estaduais e acolher as reclamações das autoridades locais, que reclamam de orçamento insuficiente e infraestrutura sobrecarregada para lidar com a crise. Cerca de 230 mil pessoas solicitaram asilo na Alemanha nos primeiros nove meses de 2023 –mais do que em todo o ano de 2022.

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Como resultado, o governo de Scholz concordou em pagar aos estados e municípios EUR 7.500 (R$ 39 mil) por refugiado a partir do próximo ano, além de fazer um pagamento antecipado de EUR 1,75 bilhão (R$ 8,8 bilhões) no primeiro semestre de 2024. O líder do estado central de Hesse, por exemplo, estimou o volume total de ajuda em EUR 3,5 bilhões (R$ 18,2 bilhões).

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As autoridades devem economizar cerca de EUR 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) com o corte de benefícios para solicitantes de asilo.

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Hoje, qualquer estrangeiro que chegue a um centro de primeiro acolhimento recebe EUR 182 (R$ 946) por mês em espécie para necessidades pessoais. Agora, para evitar que os solicitantes de asilo enviem essa quantia a seus países de origem, será entregue um cartão que permitirá aos migrantes comprar o que precisam nas lojas.

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Quando saem do centro de primeiro acolhimento, eles são distribuídos em diferentes abrigos e, enquanto esperam a tramitação do pedido de asilo, recebem, durante 18 meses, EUR 410 (R$ 2.157) mensais, no caso de pessoas solteiras, ou EUR 738 (R$ 3.883) para cada casal. Depois, a quantia aumenta para EUR 502 (R$ 2.641) mensais para solteiros e EUR 902 por casal (R$ 4.747).

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Com a mudança, os solicitantes terão de esperar 36 meses, em vez de 18, para beneficiarem-se do aumento, segundo o acordo anunciado. A Alemanha ainda aumentará os controles em suas fronteiras com Polônia, República Tcheca e Suíça –uma medida excepcional que requer a aprovação de Bruxelas.

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O governo também concordou em analisar se os procedimentos de asilo poderiam ser realizados fora da União Europeia, embora Scholz tenha expressado ceticismo sobre a constitucionalidade de tal medida.

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Após a crise migratória de 2015, as tentativas do bloco de estabelecer centros de processamento de asilo no norte da África fracassaram por preocupações legais, de segurança e humanitárias. A ideia, porém, foi revivida em 2022 pelo Reino Unido, em seu acordo com Ruanda, e na segunda pela Itália — Roma anunciou que construiria centros na Albânia para abrigar migrantes marítimos que tentam chegar ao país.

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A movimentação dos últimos dias mostra os esforços da Europa para reformar as regras de asilo e migração do bloco e reduzir a migração irregular.

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No caso da Alemanha em específico, a atitude parece ser também uma resposta ao crescimento da extrema direita no país, notadamente o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) –a primeira sigla a explorar as preocupações dos eleitores com a migração. Em junho, pela primeira vez, o grupo apareceu em uma pesquisa com o mesmo percentual de intenções de voto que o SPD (Partido Social-Democrata), sigla do premiê.

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O levantamento seria um prenúncio do que aconteceria quatro meses depois, nas eleições regionais organizadas nos estados da Baviera, o mais rico da Alemanha, e de Hesse, que abriga a metrópole financeira de Frankfurt. Em outubro, a coalizão liderada por Scholz enfrentou uma dura derrota na votação dessas regiões-chave.

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Na ocasião, todos os três partidos da coligação de Scholz –os Social-democratas, os Verdes e os Democratas Liberais –tiveram resultados piores do que há cinco anos nos estados que, juntos, representam cerca de um quarto da população alemã.

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A AfD, por sua vez, saiu de seus redutos no leste e obteve o melhor resultado de sua história em um estado ocidental, Hesse, além de ficar em segundo lugar em ambas as regiões.

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No mês passado, Scholz disse ao Parlamento que as forças democráticas do país precisavam se unir para enfrentar questões como a migração e combater a AfD, “que na realidade é um comando de demolição”, em suas palavras.