Durante décadas, máquinas agrícolas trabalharam sobre um campo em Devon, no sudoeste da Inglaterra. Enquanto os restos de uma villa, uma residência romana luxuosa permaneciam escondidos sob o solo há mais de 1.600 anos.
Agora, uma grande escavação revelou uma villa com cerca de 1.600 anos, formada por ambientes residenciais, edifícios de apoio e um sofisticado complexo de banhos.
O elemento mais chamativo é um mosaico policromado de 12 metros quadrados. Ele é composto por milhares de pequenas pedras vermelhas, brancas e azul-acinzentadas.
Veja fotos da villa romana:
Mosaico sob o campo
A história do sítio começou bem antes da escavação atual. O detectorista John Hill identificou vestígios romanos no terreno em 2004, levando posteriormente a levantamentos geofísicos e novas investigações sobre a villa romana.
A campanha mais recente durou dois meses em terras agrícolas entre Halberton e Sampford Peverell. O trabalho é liderado pela Universidade de Exeter e pela Cotswold Archaeology dentro do projeto SHARE, criado para registrar e preservar o complexo.

O mosaico provavelmente foi instalado no século IV e ocupava uma sala que pode ter servido para refeições ou recepções. No centro, tesselas quadradas de cerca de 12 milímetros formam uma flor estilizada com oito pétalas, cercada por quadrados entrelaçados e pelo padrão trançado romano conhecido como guilloche.
A maior surpresa apareceu afastada da villa romana principal. Ali, os arqueólogos identificaram uma construção de pedra com duas piscinas de imersão e paredes originalmente revestidas com reboco pintado.
Objetos de uma elite na villa romana
Os pequenos artefatos ajudam a reconstruir esse cotidiano. Entre eles está um entalhe de vidro azul representando a deusa Vitória, originalmente instalado em um anel e provavelmente usado para deixar marcas em documentos de cera.
Também surgiram uma pulseira de liga de cobre, uma colher prateada, recipientes para bebidas e um grande jarro de armazenamento. A própria planta da villa se mostrou maior que o esperado.
Os arqueólogos consideram que uma construção retangular inicialmente modesta recebeu ampliações nas extremidades norte e sul ao longo do tempo. Vestígios de uma escada de madeira levantam ainda a possibilidade de que parte da residência tivesse dois pavimentos.

Por que a villa romana é rara
O contexto arqueológico ajuda a dimensionar a descoberta. O projeto Rural Settlement of Roman Britain, liderado pela Universidade de Reading, reuniu relatórios arqueológicos publicados e documentos técnicos de escavações para fazer uma reavaliação abrangente das áreas rurais da Britânia romana.
Essas propriedades não funcionavam apenas como residências. Muitas combinavam moradia, armazenamento e produção, o que ajuda a explicar a presença de construções agrícolas junto à casa principal.
A descoberta em Devon se soma a outros achados de residências romanas que ajudam a reconstruir diferentes formas de vida no Império.
No caso de Halberton, o mosaico torna a descoberta ainda mais singular. Ele é considerado o exemplo policromado mais ocidental já encontrado em uma villa da Britânia romana. A posição do sítio mostra que símbolos de riqueza e hábitos ligados à cultura romana chegaram a uma área considerada periférica dentro da província.








