Mortes por intervenção policial batem recorde em SP em 2025 mesmo com queda da criminalidade, aponta estudo

Estado registrou 834 mortes provocadas por policiais em 2025, maior número da série histórica, apesar da redução de indicadores criminais

Formatura da Polícia Militar de SP

Letalidade policial em SP bate recorde com 834 mortos / Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

São Paulo registrou 834 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, o maior número desde o início da série histórica da Rede de Observatórios da Segurança, iniciada em 2019.

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O total representa alta de 2,7% em relação ao ano anterior e coloca o estado entre os que alcançaram recorde de letalidade policial no período monitorado.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (1º/7), aponta que o crescimento ocorreu mesmo em um cenário de redução de indicadores como roubos, furtos e latrocínios.

Para os pesquisadores, o aumento da letalidade não acompanha necessariamente a dinâmica da criminalidade, mas reflete escolhas na condução das políticas de segurança pública.

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Estado soma quase 4,8 mil mortes em sete anos

Desde o início do monitoramento, São Paulo acumulou 4.774 mortes decorrentes de intervenção policial.

Segundo o estudo, a capital concentrou 30,5% dos casos registrados em 2025.

O relatório também destaca que a adoção das câmeras corporais coincidiu com uma queda nas mortes entre 2020 e 2022, quando o número caiu de 814 para 419 vítimas.

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Desde então, porém, a curva voltou a subir até atingir o recorde atual.

Os pesquisadores afirmam que interrupções nas transmissões das câmeras corporais em ocorrências consideradas críticas e mudanças na política de monitoramento policial fazem parte do contexto analisado.

Jovens negros continuam sendo as principais vítimas

O perfil das vítimas pouco mudou ao longo dos últimos anos.

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Em São Paulo, 64,6% das pessoas mortas em intervenções policiais eram negras, embora esse grupo represente 40,9% da população do estado.

O recorte por idade também chama atenção. Das 834 vítimas registradas em 2025, 348 tinham entre 18 e 29 anos, enquanto outras 34 eram adolescentes de 12 a 17 anos.

Ao todo, jovens de até 29 anos responderam por 382 mortes.

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Estudo aponta descompasso entre letalidade e queda dos crimes

Na avaliação da Rede de Observatórios da Segurança, o aumento da letalidade policial em São Paulo ocorreu na contramão dos principais indicadores criminais.

Para os autores, esse cenário reforça que o crescimento das mortes não pode ser explicado apenas pela evolução da violência ou da atuação de organizações criminosas, mas também pelas estratégias adotadas na política de segurança pública.

O relatório ressalta ainda que São Paulo foi um dos quatro estados que bateram recorde de mortes por intervenção policial em 2025, ao lado de Ceará, Maranhão e Pará.