Após derrota para Lula, Flávio Bolsonaro ficará sem mandato pela primeira vez em 24 anos e perderá foro privilegiado em 2027

Senador deixará o Congresso em janeiro de 2027, encerrando uma sequência de cinco mandatos; investigações poderão continuar no STF

Flávio Bolsonaro deixará o Senado em janeiro de 2027, após ser derrotado por Lula na disputa presidencial - Fernando Frazão/Agência Brasil

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições deste domingo (25/10), fará com que o senador fique sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos.

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O parlamentar deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027 e perderá o foro privilegiado vinculado ao cargo.

Eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018, Flávio iniciou a carreira política em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos.

Desde então, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ocupou cargos no Legislativo de forma ininterrupta. Como decidiu disputar a Presidência da República, não concorreu à reeleição para o Senado.

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Com 100% das urnas apuradas, Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59,8 milhões de votos, ou 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Confira abaixo os presidentes da história do Brasil após a redemocratização:

Flávio Bolsonaro perderá foro privilegiado em 2027

Com o encerramento do mandato no Senado, Flávio deixará de ter o foro por prerrogativa de função decorrente do cargo parlamentar.

A mudança significa que eventuais investigações sobre fatos sem relação com o exercício das funções de senador poderão tramitar na primeira instância da Justiça.

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Entretanto, a perda do mandato não determina a transferência automática de todos os processos que envolvem o político para instâncias inferiores.

Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que investigações e ações penais relacionadas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções podem permanecer sob competência dos tribunais superiores, mesmo depois do fim do mandato.

O entendimento foi complementado pela Corte em maio de 2026.

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Dessa forma, a definição sobre a continuidade das investigações envolvendo Flávio no STF dependerá das circunstâncias de cada caso e das decisões judiciais.

Investigações envolvem Banco Master e advogado

Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que apuram possíveis irregularidades financeiras, incluindo negociações relacionadas ao filme Dark Horse, produzido sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga a participação do senador em tratativas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica.

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Documentos analisados pelos investigadores apontam que Flávio participou de negociações envolvendo aproximadamente R$ 131 milhões para o projeto.

A investigação também identificou indícios de transferências de recursos para a produção. O valor negociado não corresponde necessariamente ao montante efetivamente pago.

O senador confirmou ter participado da busca por investidores, mas nega irregularidades e afirma que os recursos tinham origem privada e finalidade lícita.

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Em 16 de outubro, a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para concluir o inquérito, alegando a necessidade de finalizar perícias e obter documentos por meio de cooperação internacional.

Outra investigação envolve a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, suspeito de participação em operações de lavagem de dinheiro.

Segundo informações encontradas pela Polícia Federal em trocas de e-mails, o senador foi cadastrado como usuário com poderes de gerenciamento de uma conta bancária vinculada a uma empresa relacionada ao advogado.

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Os investigadores apuram se o acesso poderia indicar participação econômica ou societária de Flávio na empresa. O senador e Willer Tomaz reconhecem a relação de amizade, mas negam manter negócios em conjunto.

As apurações seguem em andamento e não representam condenação dos investigados.

Senador encerra trajetória de 24 anos de mandatos

Flávio Bolsonaro foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2002 e conquistou outros três mandatos consecutivos, nas eleições de 2006, 2010 e 2014.

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Em 2016, tentou disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a eleição fora do segundo turno. Dois anos depois, foi eleito senador pelo estado, assumindo o mandato em fevereiro de 2019.

Durante sua passagem pelo Congresso, atuou em pautas relacionadas à segurança pública e presidiu a comissão dedicada ao tema.

Entre os projetos de sua autoria principal, dois foram aprovados pelo Senado, mas não haviam se tornado lei até outubro de 2026.

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O patrimônio declarado pelo senador à Justiça Eleitoral também apresentou crescimento durante o período. Em 2018, ele informou possuir aproximadamente R$ 1,7 milhão em bens. Na candidatura presidencial de 2026, o valor declarado chegou a R$ 8,1 milhões.

Após o resultado das eleições, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu a vitória de Lula e cumprimentou Flávio pela participação na disputa presidencial.

Com o fim do mandato parlamentar em janeiro, Flávio encerrará uma sequência de cinco mandatos eletivos, iniciada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e concluída no Senado Federal.

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