A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições deste domingo (25/10), fará com que o senador fique sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos.
O parlamentar deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027 e perderá o foro privilegiado vinculado ao cargo.
Eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018, Flávio iniciou a carreira política em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos.
Desde então, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ocupou cargos no Legislativo de forma ininterrupta. Como decidiu disputar a Presidência da República, não concorreu à reeleição para o Senado.
Com 100% das urnas apuradas, Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59,8 milhões de votos, ou 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Confira abaixo os presidentes da história do Brasil após a redemocratização:
Flávio Bolsonaro perderá foro privilegiado em 2027
Com o encerramento do mandato no Senado, Flávio deixará de ter o foro por prerrogativa de função decorrente do cargo parlamentar.
A mudança significa que eventuais investigações sobre fatos sem relação com o exercício das funções de senador poderão tramitar na primeira instância da Justiça.
Entretanto, a perda do mandato não determina a transferência automática de todos os processos que envolvem o político para instâncias inferiores.
Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que investigações e ações penais relacionadas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções podem permanecer sob competência dos tribunais superiores, mesmo depois do fim do mandato.
O entendimento foi complementado pela Corte em maio de 2026.
Dessa forma, a definição sobre a continuidade das investigações envolvendo Flávio no STF dependerá das circunstâncias de cada caso e das decisões judiciais.
Investigações envolvem Banco Master e advogado
Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos que apuram possíveis irregularidades financeiras, incluindo negociações relacionadas ao filme Dark Horse, produzido sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga a participação do senador em tratativas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica.
Documentos analisados pelos investigadores apontam que Flávio participou de negociações envolvendo aproximadamente R$ 131 milhões para o projeto.
A investigação também identificou indícios de transferências de recursos para a produção. O valor negociado não corresponde necessariamente ao montante efetivamente pago.
O senador confirmou ter participado da busca por investidores, mas nega irregularidades e afirma que os recursos tinham origem privada e finalidade lícita.
Em 16 de outubro, a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para concluir o inquérito, alegando a necessidade de finalizar perícias e obter documentos por meio de cooperação internacional.
Outra investigação envolve a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, suspeito de participação em operações de lavagem de dinheiro.
Segundo informações encontradas pela Polícia Federal em trocas de e-mails, o senador foi cadastrado como usuário com poderes de gerenciamento de uma conta bancária vinculada a uma empresa relacionada ao advogado.
Os investigadores apuram se o acesso poderia indicar participação econômica ou societária de Flávio na empresa. O senador e Willer Tomaz reconhecem a relação de amizade, mas negam manter negócios em conjunto.
As apurações seguem em andamento e não representam condenação dos investigados.
Senador encerra trajetória de 24 anos de mandatos
Flávio Bolsonaro foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2002 e conquistou outros três mandatos consecutivos, nas eleições de 2006, 2010 e 2014.
Em 2016, tentou disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a eleição fora do segundo turno. Dois anos depois, foi eleito senador pelo estado, assumindo o mandato em fevereiro de 2019.
Durante sua passagem pelo Congresso, atuou em pautas relacionadas à segurança pública e presidiu a comissão dedicada ao tema.
Entre os projetos de sua autoria principal, dois foram aprovados pelo Senado, mas não haviam se tornado lei até outubro de 2026.
O patrimônio declarado pelo senador à Justiça Eleitoral também apresentou crescimento durante o período. Em 2018, ele informou possuir aproximadamente R$ 1,7 milhão em bens. Na candidatura presidencial de 2026, o valor declarado chegou a R$ 8,1 milhões.
Após o resultado das eleições, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu a vitória de Lula e cumprimentou Flávio pela participação na disputa presidencial.
Com o fim do mandato parlamentar em janeiro, Flávio encerrará uma sequência de cinco mandatos eletivos, iniciada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e concluída no Senado Federal.









