Eleições dos EUA deste ano têm brasileiro, indígena, LGBT e primeira latina eleitos; confira detalhes

Nas eleições de 2026, os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado, segundo as projeções divulgadas pela imprensa americana

Brasileiros receberam destaque nas eleições dos EUA de 2026/ Foto: reprodução/redes sociais/ divulgação Gov EUA

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), foram marcadas por uma série de resultados históricos. Além de brasileiros conquistarem vagas em legislativos estaduais, a votação levou ao poder representantes de grupos que ainda têm pouca presença nos principais cargos políticos do país.

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Entre os destaques estão a eleição da primeira mulher indígena para governar um estado norte-americano, do primeiro homem abertamente gay para o Senado e da primeira mulher latina a assumir o governo do Texas. Também houve marcos para mulheres negras e representantes da comunidade muçulmana.

Os resultados fazem parte das chamadas Midterms, eleições realizadas na metade do mandato presidencial norte-americano, quando os eleitores escolhem representantes para o Congresso e cargos estaduais. Neste ano, a votação também foi marcada por mudanças na composição política do país.

O que são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos?

Conhecidas como Midterms, as eleições de meio de mandato acontecem a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial norte-americano. Diferentemente das eleições presidenciais, os eleitores não escolhem um novo presidente nessa votação, mas definem a composição do Congresso e diversos cargos estaduais.

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Em 2026, os norte-americanos escolheram os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 senadores e governadores de diversos estados, além de representantes de legislativos estaduais.

O resultado é importante porque determina qual partido terá maioria no Congresso durante os dois anos seguintes. Na prática, isso pode facilitar ou dificultar a aprovação de projetos do presidente, a votação de orçamento, a confirmação de indicações para cargos públicos e a fiscalização do governo.

Como o resultado interfere no governo de Donald Trump?

Embora Donald Trump não estivesse concorrendo à Presidência, as eleições funcionaram como uma avaliação política de sua gestão. Isso porque a composição do Congresso influencia diretamente a capacidade do presidente de colocar suas propostas em prática.

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Nas eleições de 2026, os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado, segundo as projeções divulgadas pela imprensa americana.

Com isso, Trump deverá enfrentar uma oposição maior na segunda metade de seu mandato. Os democratas terão mais poder para barrar projetos, dificultar a aprovação de indicações presidenciais e abrir investigações sobre ações do governo.

O presidente, porém, continua no cargo e mantém instrumentos como o poder de veto. Portanto, a mudança na composição do Congresso não significa o fim de seu mandato, mas altera a relação de forças entre o Executivo e o Legislativo.

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Quando os Estados Unidos elegem o presidente novamente?

A próxima eleição presidencial norte-americana está prevista para novembro de 2028. Como o mandato presidencial tem duração de quatro anos, Trump permanece no cargo até janeiro de 2029, quando termina seu segundo mandato, caso não haja alguma mudança excepcional.

As eleições presidenciais são diferentes das Midterms: nelas, os eleitores escolhem os representantes que disputarão a Presidência, e a votação define quem comandará o país pelos quatro anos seguintes.

Com isso esclarecido, confira abaixo quem são os nomes que fizeram história nas eleições de 2026.

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Brasileiros conquistam vagas em legislativos estaduais dos EUA

Três brasileiros foram eleitos ou reeleitos para cargos legislativos nos Estados Unidos pelo Partido Democrata. São eles Felipe Sousa-Lazaballet, Rita Mendes e Priscila Sousa.

Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito para representar o Distrito 42 na Câmara Estadual da Flórida. Ele é ativista comunitário e defensor dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+.

Felipe chegou aos Estados Unidos ainda adolescente e passou anos vivendo no país em situação migratória irregular. Durante sua trajetória, participou de mobilizações em defesa dos direitos de jovens imigrantes.

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Após a vitória, comemorou o resultado nas redes sociais. “Minha história é o sonho americano. Cheguei aqui sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o privilégio incrível de lutar pelos meus amigos e vizinhos como líder eleito”, escreveu.

Já Rita Mendes conquistou a reeleição para a Câmara dos Representantes de Massachusetts. Filiada ao Partido Democrata, ela representa o 11º Distrito de Plymouth, que inclui a cidade de Brockton, região que concentra uma comunidade brasileira.

Outra brasileira eleita foi Priscila Sousa, que conquistou uma vaga pelo 6º Distrito de Middlesex, também em Massachusetts, na região de Framingham. Formada em Ciência Política, ela atua em iniciativas voltadas à representatividade dos imigrantes na política norte-americana.

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Deb Haaland é a primeira mulher indígena eleita governadora

Outro resultado histórico veio do Novo México. A democrata Deb Haaland foi eleita governadora e se tornou a primeira mulher indígena a conquistar o comando de um estado norte-americano.

Integrante da tribo Laguna Pueblo, Haaland derrotou o republicano Gregg Hull na disputa. Antes de entrar na corrida pelo governo estadual, ela ganhou projeção nacional ao comandar o Departamento do Interior durante a gestão do ex-presidente Joe Biden.

Em 2021, tornou-se a primeira pessoa indígena a ocupar o cargo de secretária do Interior dos Estados Unidos. A pasta é responsável por políticas relacionadas a terras federais, recursos naturais e relações com comunidades indígenas.

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A eleição de Haaland representa mais um marco para a participação de povos originários na política institucional do país.

Peggy Flanagan é a primeira indígena eleita para o Senado

Além do governo estadual, a representatividade indígena também avançou no Congresso norte-americano. Peggy Flanagan, vice-governadora de Minnesota, foi eleita para o Senado dos Estados Unidos e se tornou a primeira mulher indígena a conquistar uma cadeira na Casa.

Integrante da comunidade White Earth Band of Ojibwe, Flanagan construiu sua trajetória política em Minnesota, onde também atuou na área da educação e em pautas relacionadas aos direitos indígenas.

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Ela venceu a disputa contra a republicana Michele Tafoya e ocupará a vaga deixada pela senadora Tina Smith.

Chris Pappas será o primeiro homem abertamente gay no Senado

Na disputa pelo Senado em New Hampshire, o democrata Chris Pappas também alcançou um resultado inédito.

Deputado federal desde 2019, ele venceu a eleição e se tornou o primeiro homem abertamente gay a conquistar uma cadeira no Senado norte-americano.

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Pappas já havia construído sua trajetória política no estado antes de disputar a vaga. Em seu site, defende que ninguém deve sofrer discriminação por sua identidade ou por quem ama.

A vitória representa um marco para a participação de pessoas LGBTQ+ em um dos principais espaços de decisão política dos Estados Unidos.

Gina Hinojosa é a primeira governadora latina do Texas

No Texas, a democrata Gina Hinojosa conquistou o governo estadual e se tornou a primeira mulher latina eleita para comandar o estado.

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Ela derrotou o republicano Greg Abbott, que tentava permanecer no cargo. A vitória também encerrou um longo período de domínio republicano no governo texano, segundo os resultados divulgados após a votação.

A eleição de Hinojosa é um marco para a representatividade latina em um dos estados mais populosos e politicamente influentes dos Estados Unidos.

Keisha Lance Bottoms é a primeira mulher negra eleita governadora

A Geórgia também registrou uma conquista histórica. Keisha Lance Bottoms venceu a disputa pelo governo estadual e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado norte-americano.

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Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou o empresário republicano Rick Jackson. Com o resultado, os democratas também retomaram o governo da Geórgia após mais de duas décadas de domínio republicano.

A vitória amplia a presença de mulheres negras nos cargos mais altos do Executivo estadual norte-americano.

Abdul El-Sayed é o primeiro muçulmano eleito para o Senado

Outro nome que chamou atenção foi Abdul El-Sayed, eleito senador pelo estado de Michigan.

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Com a vitória, ele se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos. Médico e ex-gestor da área de saúde, El-Sayed construiu sua campanha com propostas relacionadas ao acesso aos serviços de saúde e à desigualdade econômica.

Ele derrotou o republicano Mike Rogers na disputa e comemorou o resultado em Detroit.

“Michigan, nós conseguimos!”, afirmou durante o discurso de vitória, segundo a Euronews.

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Outros resultados históricos nas eleições americanas

Além dos nomes citados, as eleições de 2026 também registraram outros resultados inéditos em disputas estaduais.

Na Flórida, o republicano Byron Donalds foi eleito o primeiro governador negro do estado. Já em Wisconsin, o democrata David Crowley conquistou o governo estadual e se tornou o primeiro homem negro a ocupar o cargo.

Outro resultado foi a eleição de Juliana Stratton para o Senado por Illinois. Com ela e Tammy Duckworth, o estado passa a ter duas mulheres não brancas representando a população na Casa.

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Os resultados mostram como as eleições de meio de mandato de 2026 foram marcadas por mudanças na composição de governos estaduais e do Congresso norte-americano, com a chegada de representantes de diferentes origens e trajetórias a cargos de destaque na política dos Estados Unidos.