As eleições deste ano terão R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral 2026 para financiar campanhas partidárias, popularmente conhecido como Fundão. O montante, aprovado pela Lei do Orçamento da União (LOA) liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, será dividido aos diretórios nacionais de 30 legendas políticas na disputa deste ano. O repasse bilionário vai bancar folhetos, comícios e toda a estrutura de candidatos.
Ao todo, a Justiça Eleitoral liberou exatamente R$ 4.961.519.777 para a disputa de 2026.
Fatia por sigla e cota para mulheres, negro e indigenas
A força das bancadas no Congresso Nacional direciona a maior parte dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral 2026 para os maiores partidos políticos do Brasil. O PL encabeça a lista e garante R$ 881 milhões, seguido pelo PT com R$ 615 milhões e pelo União Brasil com R$ 526 milhões, trio que abocanha quase 40% de todo o recurso.
Por outro lado, o cálculo do financiamento de campanhas deixa siglas com menor representação (como PCO, PSTU, PRTB, Mobiliza e Unidade Popular) com a cota mínima de R$ 3,3 milhões cada.
O STF e o TSE determinam que pelo menos 30% da verba vá para candidaturas femininas, além do repasse proporcional mínimo de 30% para candidatos negros e cotas específicas para indígenas. Os partidos políticos não podem desviar esses valores para outros perfis de campanha.
De onde vem o dinheiro do Fundão
A proibição de doações de empresas privadas em 2015 levou o governo a criar o financiamento público de campanhas via Tesouro Nacional, através da Lei nº 13.487 de 2017.
Existe uma diferença prática na aplicação do dinheiro:
- Fundo Partidário: rerba permanente destinada à manutenção diária, sedes e contas administrativas dos partidos.
- Fundo Eleitoral 2026: recursos temporários voltados exclusivamente para custear gastos eleitorais em ano de eleição.
Cálculo da divisão dos R$ 4,9 bilhões
A divisão da bolada de R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral 2026 não acontece por acaso nem por decisão individual dos ministros. O TSE aplica uma fórmula matemática rígida, prevista em lei, que privilegia o tamanho e o desempenho de cada legenda nas urnas.
Na prática, quanto maior a bancada no Congresso e a votação obtida na última eleição para a Câmara, maior é a fatia do bolo público direcionada para financiar as campanhas.
O maior peso dessa conta fica concentrado na Câmara dos Deputados, onde o número de cadeiras conquistadas define o destino de quase metade da verba, exatos 48% do bolo.
A votação obtida para a mesma Casa na eleição geral anterior responde por outros 35%, enquanto a representatividade das bancadas no Senado Federal garante a fatia de 15% do Fundo Eleitoral 2026.
Como única medida de incentivo linear, apenas 2% do total é repartido de forma rigorosamente igual entre todas as siglas registradas no país, desenhando um cenário em que os grandes blocos partidários dominam a maior parte dos recursos públicos para o financiamento de campanhas.
Em termos práticos, 83% de todo o montante bilionário é distribuído com base no desempenho na Câmara dos Deputados (somando eleitos e votos válidos). Isso significa que as siglas com maior força política centros populacionais garantem a hegemonia dos recursos, enquanto legendas menores sobrevivem com o piso fixo de 2%.
Fiscalização da verba do Fundo Eleitoral 2026
Para receber a verba, a direção de cada sigla precisa aprovar critérios internos transparentes e enviar o plano ao TSE. O cidadão pode conferir todas as receitas e despesas registradas pelos candidatos no portal DivulgaCandContas. Caso a Justiça Eleitoral identifique irregularidades ou desvio de finalidade, o partido deve devolver o dinheiro aos cofres públicos e responder a sanções legais.




