Alerta Máximo: como os EUA podem travar o Pix no Brasil

Classificação de PCC e CV como grupos terroristas nos EUA acende alerta na Fazenda por risco de bloqueio a bancos brasileiros

Governo liga sinal de alerta após decisão de Trump contra facções ameaçar o funcionamento do Pix. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A decisão do governo de Donald Trump de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais provocou um abalo nos bastidores do Palácio do Planalto.

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O Ministério da Fazenda ligou o sinal de alerta máximo, advertindo que a medida dos Estados Unidos cria uma insegurança jurídica sem precedentes e ameaça o funcionamento do Pix, o sistema de pagamentos mais popular do Brasil.

Ao carimbar o crime organizado brasileiro como terrorismo, Washington passa a monitorar com lupa qualquer fluxo de dinheiro que possa, mesmo sem querer, encostar em recursos dessas facções.

O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, explicou à Rádio CBN que o risco de contaminação é real; basta uma suspeita de que uma instituição financeira brasileira tenha contas ligadas ao PCC para que o Tesouro americano aplique sanções, o que poderia travar as operações do Pix sob a alegação de conivência com o terror.

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Fantasma do fechamento de bancos

A equipe econômica do governo federal faz questão de pontuar que o temor não é exagero de bastidor. O Ministério da Fazenda cita o exemplo do México, onde o Departamento de Justiça dos EUA usou o mesmo argumento de ligações com o terrorismo para fechar as portas de três bancos locais da noite para o dia.

O receio é que interesses comerciais e políticos estrangeiros usem o argumento de que o crime se aproveita da rapidez do Pix para tentar desestabilizar a ferramenta e sufocar a autonomia cambial do Brasil.

De acordo com interlocutores da Fazenda, a pressão política dos EUA também tem como pano de fundo a disputa eleitoral e ameaças de novos “tarifaços” comerciais contra produtos brasileiros.

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O governo federal rebate as narrativas externas, sustentando que as denúncias sobre o suposto uso descontrolado da ferramenta por criminosos são infundadas e que o combate ao crime deve ser feito por inteligência e cooperação, sem prejudicar a vida financeira das empresas e das famílias.

Ofensiva para blindar o bolso do brasileiro

Para neutralizar o risco de sanções estrangeiras e proteger a economia nacional, o governo federal estruturou uma contraofensiva técnica e diplomática imediata.

A primeira frente consiste na abertura de um canal direto de negociação com as autoridades americanas para comprovar o alto nível de rastreabilidade do Banco Central sobre o Pix e dissipar ruídos.

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Em paralelo, a Fazenda iniciou rodadas de conversas com bancos e o setor produtivo nacional para calibrar a defesa da governança das instituições locais frente às novas regras de Washington. Por fim, o plano prevê a ampliação de acordos bilaterais com o Tesouro americano focados no sufocamento financeiro do crime de forma conjunta e inteligente.

A ordem do governo é clara; proteger o Pix como o maior símbolo de soberania tecnológica do país. A engenharia financeira brasileira já foi elogiada por técnicos dos próprios Estados Unidos em ocasiões anteriores, e a meta agora é barrar qualquer tentativa de intervenção externa que ameace a segurança dos pagamentos no dia a dia do país.