O último debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno das eleições presidenciais foi marcado por propostas para áreas como economia, saúde, educação e segurança, mas também por uma série de ataques pessoais entre os candidatos. O encontro aconteceu na noite desta sexta-feira (23/10), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. A votação ocorre neste domingo (25/10).
Durante os quatro blocos, os candidatos discutiram temas como infraestrutura, exportações, salário mínimo, aposentadorias, saneamento básico, políticas sociais, endividamento, SUS, educação e combate ao crime organizado. No último bloco, de tema livre, Lula e Flávio trocaram acusações envolvendo aliados, o Banco Master, a compra de uma ilha em Angra dos Reis e episódios relacionados à pandemia.
O debate também teve momentos de confronto direto. Flávio chamou Lula de “nove dedos” e questionou se o presidente governava o País ou dependia do Google para responder às perguntas. Lula, por sua vez, chamou o adversário de “miliciano” e fez críticas à atuação política de Flávio e às relações dele com pessoas investigadas.
Infraestrutura, salário mínimo e economia entram no centro do debate
O primeiro bloco começou com uma discussão sobre infraestrutura e exportações. Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre obras paralisadas e afirmou que, caso eleito, pretende ampliar a malha ferroviária brasileira e concluir projetos como a Transnordestina.
Lula rebateu dizendo que seu governo retomou obras encontradas paradas e citou investimentos em rodovias e ferrovias, como a BR-319, a Transnordestina, a Fiol e a Fico.
Na sequência, o debate passou pelo salário mínimo no Sudeste. Flávio acusou o governo de prejudicar o poder de compra da população por causa dos juros e do endividamento. Lula defendeu os reajustes acima da inflação realizados durante os governos do PT. Flávio também afirmou que pretende manter aumentos do salário mínimo acima da inflação.
O agronegócio e as exportações também foram discutidos. Lula afirmou que o Brasil ampliou a abertura de mercados internacionais e citou novos destinos para produtos brasileiros. Flávio, por outro lado, criticou os juros e a burocracia para o financiamento rural e prometeu garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra.
No tema relacionado ao Sul, Flávio prometeu reajustes acima da inflação para aposentadorias e disse que pretende investir em obras de prevenção a enchentes no Rio Grande do Sul. Também citou medidas para combater o tráfico e melhorar as rodovias federais de Santa Catarina.
Já na discussão sobre o Norte, os candidatos divergiram sobre saneamento básico. Flávio defendeu o Marco Legal do Saneamento e prometeu ampliar investimentos no setor. Lula respondeu com críticas à gestão do governo Jair Bolsonaro, especialmente durante a pandemia de Covid-19.
O Nordeste também entrou na discussão. Lula citou obras e investimentos feitos na região, enquanto Flávio afirmou que pretende governar para todo o País e trabalhar em parceria com governadores, mesmo quando não forem aliados políticos.
Saúde, educação e segurança provocam novos confrontos
No segundo bloco, políticas sociais deram início à discussão. Lula questionou Flávio sobre um voto contrário ao aumento da licença-maternidade para 180 dias, quando o senador ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Flávio reconheceu que considera ter errado na época e afirmou que mudou de posição após se casar e ter duas filhas. Lula também criticou declarações anteriores do adversário sobre o Bolsa Família.
Outro tema de destaque foi a dívida pública e o endividamento dos brasileiros. Flávio criticou os juros e prometeu criar mecanismos para refinanciar dívidas por meio da Caixa Econômica Federal, incluindo períodos de suspensão dos pagamentos.
Lula afirmou que pretende utilizar leilões com bancos para reduzir dívidas dos consumidores e citou medidas de seu governo voltadas à renegociação de débitos.
Na discussão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), Lula questionou como Flávio pretende ampliar investimentos na saúde caso também defenda cortes de gastos. O candidato do PL criticou filas, falta de medicamentos e demora em atendimentos, mas afirmou posteriormente que pretende manter e ampliar os investimentos no SUS.
A educação também foi tema do terceiro bloco. Lula defendeu a ampliação das escolas de ensino integral e prometeu universalizar o programa Pé-de-Meia, inclusive para universitários. Flávio afirmou que manterá o programa caso seja eleito e apresentou propostas como vale-creche, cursos de tecnologia e parcerias entre escolas públicas e privadas.
A segurança pública provocou um dos momentos mais tensos da noite. Flávio defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas, incluindo a classificação do PCC, do Comando Vermelho e das milícias como organizações narcoterroristas. Também propôs redução da maioridade penal, penas mais duras e trabalho obrigatório nos presídios.
Lula respondeu com críticas à atuação política de Flávio no Rio de Janeiro e defendeu a PEC da Segurança Pública, além da criação de um ministério específico para a área e do fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
No quarto bloco, de tema livre, os ataques pessoais ganharam ainda mais espaço. Lula questionou Flávio sobre a relação com o advogado Willer Tomaz e uma disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis. Flávio negou irregularidades e afirmou que o caso já havia sido analisado pela Justiça.
Os candidatos também trocaram acusações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a episódios envolvendo a vacina Covaxin durante a pandemia. Flávio negou ter parceria com Vorcaro e afirmou que o empresário investiu em um filme sobre Jair Bolsonaro. Lula contestou as acusações e voltou a questionar a participação de Flávio em encontros durante a pandemia.
Considerações finais
Nas considerações finais, Lula pediu votos para o segundo turno e afirmou que a eleição representa uma escolha sobre os rumos do País e a manutenção da democracia. O petista também voltou a fazer críticas a Flávio Bolsonaro e pediu aos eleitores que pesquisassem informações antes da votação.
Flávio Bolsonaro agradeceu aos eleitores e afirmou que, se eleito, pretende recuperar o poder de compra da população, defender a liberdade e aumentar a segurança. O candidato pediu votos para o número 22 e encerrou sua participação fazendo um apelo aos eleitores para o domingo.
O debate foi dividido em quatro blocos. Nos três primeiros, os candidatos discutiram temas previamente definidos, enquanto o último teve tema livre e oito minutos de fala para cada um.
