Bastidores: por que Lula abriu mão de R$ 1,7 bilhão para zerar a ‘taxa das blusinhas’

De olho nas Eleições, governo abre mão de arrecadação bilionária para reverter rejeição popular e neutralizar oposição

Procedimentos de Lula são bem-sucedidos e não devem impactar campanha

Lula revoga 'taxa das blusinhas' para reduzir rejeição popular, sob fortes críticas de retrocesso pelo varejo nacional. | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou a taxação sobre compras internacionais de até 50 dólares, a polêmica “taxa das blusinhas”. A decisão de terça-feira (12/5) mira reverter o desgaste político da medida, que acumulava 70% de rejeição popular e era vista pelo Planalto como um erro estratégico.

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O varejo nacional, porém, reagiu de imediato, classificando a isenção como um retrocesso para a competitividade da indústria brasileira. 

A virada do Palácio do Planalto, conforme apurado pelo g1, sugere que o pragmatismo eleitoral prevaleceu sobre a agenda econômica.

Diante da forte resistência popular à “taxa das blusinhas”, o governo optou por priorizar a recuperação da imagem política, mesmo sob o risco de abrir mão de uma fonte de receita em plena ascensão.

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Os dados fiscais reforçam o peso dessa renúncia: apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a alíquota de 20% gerou R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos, um salto de 25% em relação ao mesmo período de 2025.

Ao anular o tributo, o presidente Lula surpreendeu o setor varejista e ignorou a curva de crescimento da arrecadação. Especialistas como Marcos Praça, da ZERO Markets, e o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, alertam que o mercado sentirá o impacto dessa mudança já nos próximos dias, evidenciando o descompasso entre a necessidade de ajuste fiscal e as conveniências do calendário político.

Setor produtivo reage

A reação do setor produtivo foi imediata e contundente. A Abvtex classificou a revogação como um “grave retrocesso”, argumentando que a isenção concede privilégios artificiais a empresas estrangeiras, enquanto o varejo nacional lida com carga tributária recorde e custos operacionais elevados.

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No mesmo tom, a FIEMG alertou para a concorrência desleal que sufoca, principalmente, pequenos e médios negócios. O descontentamento do setor é sustentado por dados de um manifesto assinado por 53 entidades: após a implementação da taxa, 12% dos consumidores migraram para lojas brasileiras e outros 36% reduziram o volume de importações, evidenciando o impacto direto da medida na recuperação do mercado interno.

O fator político e o “peso das urnas”

A revogação da taxa também foi uma manobra para neutralizar o campo adversário. O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, admitiu que o recuo já era debatido internamente para evitar que a oposição utilizasse o tema como munição política no Congresso.

Embora defenda um debate racional e sem tabus, Durigan ressaltou que a prioridade é preservar os avanços do programa Remessa Conforme, do qual o governo não pretende abrir mão. A fala do ministro expõe a delicada balança do Planalto: ceder na tributação para garantir governabilidade, sem desmantelar a estrutura de fiscalização já consolidada.