Moraes libera visitas de familiares a Bolsonaro durante prisão domiciliar

Medida vale para filhos, netos, netas e cunhadas do ex-presidente, e deve respeitar as demais condições impostas pela Justiça

Bolsonaro foi detido em casa, no Jardim Botânico, após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Defesa de Bolsonaro declarou ter sido surpreendida pela prisão e prepara um recurso | Pedro Ladeira/Folhapress

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (6/8) que o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, possa receber visitas de familiares sem necessidade de autorização prévia.

A medida vale para filhos, netos, netas e cunhadas de Bolsonaro, e deve respeitar as demais condições impostas pela Justiça, como a proibição de uso de redes sociais e de celulares.

Inicialmente, apenas advogados estavam autorizados a visitar o ex-presidente. Agora, com a nova decisão, a visita de parentes próximos está liberada sem necessidade de comunicação prévia à Justiça.

Desde a noite de segunda-feira (4/8), Bolsonaro está em prisão domiciliar por decisão de Moraes, que apontou descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas no inquérito da suposta trama golpista. O ministro afirmou que o ex-presidente vinha “ignorando e desrespeitando” ordens judiciais.

O que diz a defesa?

A defesa de Bolsonaro declarou ter sido surpreendida pela prisão e prepara um recurso, que será analisado pela Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

Uma parte dos ministros tem expressado desconforto com a prisão domiciliar, considerada por alguns como um passo que pode acirrar tensões políticas em meio a uma possível condenação do ex-presidente ainda neste ano.

Reações internacionais

A decisão de Moraes também repercutiu fora do País. O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra o ministro e outros integrantes do Supremo, alegando abuso de autoridade no caso.

Em paralelo, o presidente norte-americano Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre alguns produtos brasileiros, citando o que classificou como “caça às bruxas” contra Bolsonaro. As medidas entraram em vigor nesta quarta-feira (6/8).