Pix e STF na mira de Trump: Brasil prepara defesa com Lei da Reciprocidade contra tarifaço dos EUA

Washington justifica barreira de 25% com críticas a regulações; Fazenda planeja contra-ataque com base em lei de reciprocidade

TCU faz duro alerta sobre dinheiro jogado em estatais e aponta risco de desvios milionários Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil estuda aplicar Lei da Reciprocidade contra taxa dos EUA usando estratégia comercial de 1890 (foto: Ricardo Stuckert/PR)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (16/7) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva estuda aplicar a Lei da Reciprocidade contra a tarifa de 25% imposta pelos EUA.

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Foco das restrições dos EUA

A investigação dos EUA que resultou na tarifa de 25% cita pontos da estrutura do Brasil. O alvo é o Pix, sob a alegação de que a posição do Banco Central (operador e regulador) afeta a concorrência com meios de pagamento de empresas dos EUA.

O relatório de Washington também apresenta críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre moderação em redes sociais e anulação de processos da Lava Jato. O documento cita ainda taxas sobre o etanol e dados de desmatamento na Amazônia.

A Tarifa McKinley de 1890

Para analistas e historiadores, a atual disputa comercial reedita a lógica da Tarifa McKinley, de 1890. O mecanismo do século 19 concedia isenção a produtos como café e açúcar em troca de abertura de mercado para itens dos EUA.

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Se a contrapartida fosse rejeitada, Washington aplicava taxas sobre as importações. O modelo levou o Brasil a assinar um acordo em 1891, abrindo o mercado interno em troca da isenção do café e do açúcar nos EUA.

Plano de resposta em três frentes

A reação do governo brasileiro não ocorre por simetria. A Lei da Reciprocidade, de 2025, exige proporcionalidade e análise antes da aplicação de barreiras. A estratégia envolve ação na OMC, retaliação via Camex e o plano “Brasil Soberano”.

Se a diplomacia falhar, a lei permite suspender patentes, reter o pagamento de royalties e impor restrições a serviços e investimentos de empresas do país de origem das taxas.

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Exceções e impacto no mercado

O mercado financeiro registrou oscilações contidas após a divulgação da lista de exceções dos EUA. O governo americano retirou mais de duas mil linhas de produtos da tarifa para garantir o abastecimento de suas indústrias.

Ficaram de fora da taxação itens como carne, café, petróleo, celulose e partes de aeronaves. Setores como calçados, vestuário e máquinas pagam a alíquota integral de 25%.