Projetos da deputada mais votada de SP citam até cidades erradas, aponta levantamento

Documentos foram por Eduarda Campopiano (PL) durante o seu mandato como vereadoras de Praia Grande, cidade do litoral paulista

eduarda campopiano

Parlamentar foi eleita com 1.955.039 dos votos válidos Reprodução/Instagram

Eleita como a deputada estadual mais votada de São Paulo neste ano, Eduarda Campopiano (PL) apresentou, ainda como vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, projetos que se assemelham a trechos já existentes e protocolados por outros políticos. A jovem de 23 anos registrou mais de 1,9 milhão de votos nas eleições do último domingo (4/10).

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Entre os documentos analisados, dois continham identificação de cidades distintas de onde foram apresentados, conforme o levantamento feito pela BBC News. As propostas da parlamentar incluíam um programa de educação financeira para “cidadãos paulistanos”, mas com implantação em Praia Grande, por exemplo.

Textos de parlamentares do mesmo partido também aparecem na lista, como os de Lucas Pavanato (PL), aliado de Eduarda em 2026, e da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).

Quais são os projetos protocolados com trechos “copiados”

O levantamento colocou lado a lado as versões originalmente apresentadas dos 20 projetos de lei da então vereadora com documentos apresentados anteriormente em outras cidades. Ao menos 14 deles apresentaram semelhanças, com trechos reproduzidos diretamente.

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O Projeto de Lei (PL) 64/2026, apresentado por Eduarda em 30 de abril deste ano, propõe criar um programa de educação financeira nas escolas municipais de Praia Grande. No entanto, o documento contém trechos do PL 875/2021, do vereador de São Paulo, Rubinho Nunes (União Brasil), que criava o programa “Jovem Capitalista”.

Conforme a análise da BBC News, a nova versão passou a se chamar Programa de Educação Financeira, mas a justificativa manteve menção direta ao Jovem Capitalista. Ainda destacou que o programa “viabiliza uma realidade mais agradável e um futuro mais próspero aos cidadãos paulistanos”, sem trocar o termo usado no projeto do outro município.

Nos dois textos apresentados, a justificativa também se manteve a mesma. “Este projeto de lei dispõe sobre a implantação do Programa Jovem Capitalista, voltado à garantia do desenvolvimento intelectual, físico, emocional, social e cultural dos alunos da rede pública municipal de ensino.”

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Outro exemplo é o PL 68/2026, protocolado por Eduarda em 11 de maio de 2026, que prevê multas administrativas pelo consumo de maconha na presença de crianças e adolescentes e em espaços públicos.

Um dos trechos do texto cita que os recursos obtidos com as sanções seriam destinados a organizações de Serra, município do Espírito Santo, em vez de Praia Grande. Ainda, a cidade do outro estado já contava com uma proposta semelhante, assinada em 23 de janeiro de 2025 pelos vereadores Pastor Dinho (PL) e Agente Dias (Republicanos).

Um terceiro projeto de lei também previa a obrigatoriedade dos hospitais públicos de emitirem diariamente boletim médico referente ao estado de saúde e às condições de tratamento do paciente internado. Segundo a BBC, o texto do projeto cita ao menos uma fonte obtida no ChatGPT e aponta a lei orgânica de São José.

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Textos de aliados também se assemelham

Por fim, três dos projetos analisados têm relação direta com políticos do mesmo partido e próximos a Eduarda Campopiano. Dois deles apresentam dispositivos idênticos aos de propostas do vereador e deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), enquanto o terceiro reproduz o conteúdo de um programa apresentado pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). 

As justificativas das propostas protocoladas em Praia Grande não fazem referência aos projetos originais nem atribuem a autoria dos trechos aos parlamentares.

O primeiro caso é o PL 2/2026, apresentado por Campopiano em 4 de fevereiro, que estabelece sanções administrativas para casos de maus-tratos a animais. A proposta coincide em diversos artigos com o PL 43/2026, de Pavanato, protocolado em 29 de janeiro. 

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As duas iniciativas listam as mesmas condutas como maus-tratos, como privar o animal de água, alimento ou abrigo, abandoná-lo e deixar de oferecer assistência veterinária. Ambas também preveem advertência, multas de R$ 2 mil a R$ 50 mil e apreensão dos animais. O texto de Campopiano ainda cita, em seu projeto de lei, a Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (COSAP), órgão vinculado à Prefeitura de São Paulo, que não existe em Praia Grande. 

O segundo caso é o PL 63/2026, apresentado por Campopiano em 30 de abril, que autoriza a Guarda Civil Municipal a utilizar provisoriamente veículos, equipamentos e outros bens apreendidos em decorrência da prática de crimes. A redação reproduz dispositivos do PL 76/2026, apresentado por Pavanato em São Paulo em 11 de fevereiro.

Já o PL 112/2026, protocolado em Praia Grande em 5 de agosto, cria o “Programa Meninos Fortes”, voltado à proteção e ao acolhimento de estudantes do sexo masculino vítimas ou expostos à violência escolar e ao bullying. Uma iniciativa com o mesmo nome havia sido apresentada por Ana Campagnolo em 13 de julho. Os artigos das duas propostas têm redação praticamente idêntica, com alterações pontuais.

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A reportagem entrou em contato com a assessoria de Eduarda Campopiano, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.