TSE fecha cerco a deepfakes e une Meta, Google e OpenAI para Eleições 2026

Acordo inédito de cooperação com dez gigantes da tecnologia e redes sociais prevê remoção rápida de conteúdos falsos, multa e cassação de candidaturas

Principal momento das eleições de 2026 é a votação em outubro, com primeiro e segundo turnos. Nelson Jr./Tribunal Superior Eleitoral

Parceria do TSE com dez empresas de tecnologia busca proteger o processo eleitoral para mais de 158 milhões de brasileiros / Nelson Jr./Tribunal Superior Eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formalizou uma cooperação com Meta, Google Brasil, TikTok, X, Telegram, Kwai, LinkedIn e com as empresas de inteligência artificial OpenAI, ElevenLabs e Anthropic para coibir a desinformação nas Eleições de 2026.

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A parceria abrange o monitoramento de deepfakes, a criação de canais de remoção rápida de conteúdos irregulares e a fiscalização de propagandas eleitorais até o dia 31 de dezembro. A iniciativa atende mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar em outubro. O acordo é de cooperação técnica, sem repasse de verbas públicas para as empresas envolvidas. 

A negociação entre as partes fixa as responsabilidades do tribunal no julgamento de representações. O texto também atribui às companhias digitais e às desenvolvedoras de tecnologia de IA o cumprimento de diretrizes de segurança e a verificação do material em seus ecossistemas.

Restrições tecnológicas e penalidades previstas

As regras constam na Resolução 23.610 do TSE e priorizam a contenção das deepfakes, mídias modificadas para atribuir declarações falsas a candidatos.

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O texto faz parte de um conjunto mais amplo de resoluções publicadas para organizar a disputa. A norma proíbe expressamente a alteração da fala de concorrentes e exige aviso claro em qualquer outra propaganda gerada por inteligência artificial.

Entre 72 horas antes e 24 horas depois da votação, fica vedada a publicação de novo conteúdo produzido por essas ferramentas. O descumprimento sujeita os responsáveis à remoção imediata do material, multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil e risco de cassação do registro ou mandato.

Um levantamento do Observatório IA nas Eleições indicou o registro de 137 peças desse tipo com imagens de autoridades entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, sendo um terço produzido por políticos.

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Durante o evento de formalização da norma em 16 de julho, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou a distribuição das atribuições no processo de monitoramento:

“Um conteúdo falso ou manipulado pode circular em poucos segundos e alcançar rapidamente diferentes redes e públicos. A cooperação não significa confundir papéis, afastando a fiscalização ou eliminar todas as eventuais divergências.”

Fiscalização comunitária e cronograma eleitoral

A apuração das irregularidades pode ter a participação do eleitorado também, a partir do dia 16 de agosto, data de liberação do aplicativo Pardal para download. A plataforma aceita denúncias de propaganda ilegal com login via e-Título ou Gov.br, sob garantia de sigilo.

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A ferramenta atua integrada ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral do tribunal para o encaminhamento direto aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e ao Ministério Público Eleitoral.

O calendário oficial marca para 16 de agosto o início da propaganda eleitoral na internet e nas ruas, período em que passam a valer todas as portarias de fiscalização de campanha.

O primeiro turno das Eleições 2026 ocorre em 4 de outubro, enquanto o segundo turno está agendado para o dia 25 de outubro nas localidades onde houver necessidade.