Alerta na dieta: o risco oculto por trás do selo ‘proteico’ nos rótulos

Relatório aponta que apelo nutricional pode induzir ao consumo de ultraprocessados e esconder baixa qualidade alimentar

Barrinhas e iogurtes podem indicar mesma quantia em gramas de proteína, mas nem sempre são as melhores fontes nutricionais

Barrinhas e iogurtes podem indicar mesma quantia em gramas de proteína, mas nem sempre são as melhores fontes nutricionais | Reprodução/Freepik

A indústria “fitness” de alimentos vive um boom no Brasil. Produtos com os dizeres “proteico” são cada vez mais comuns nas prateleiras dos mercados.

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O que pode confundir o consumidor é a dificuldade em diferenciar o que, de fato, é saudável do que pode apresentar riscos à qualidade nutricional do que é consumido.

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Segundo relatório do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o uso desses termos cria uma falsa percepção de benefício nutricional, o que pode incentivar o consumo de produtos ultraprocessados em detrimento de alimentos in natura.

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Para entender como isso pode impactar a população, a Gazeta conversou com Daniel Magnoni, nutrólogo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

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Proteína nem sempre é igual

Apesar de muitos produtos destacarem a quantidade de proteína no rótulo, isso não significa necessariamente qualidade nutricional.

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De acordo com Magnoni, a diferença começa na origem da proteína e no perfil de aminoácidos.

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“Depende da origem dessa proteína (se é vegetal ou animal) e também do perfil de aminoácidos. Nós sabemos, por exemplo, que o perfil de aminoácidos da carne é muito superior ao perfil de aminoácidos das barrinhas”, afirma.

Segundo ele, proteínas de alimentos como carne, ovos e frango apresentam composição mais completa quando comparadas às utilizadas em produtos industrializados.

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O especialista explica que, embora barrinhas e iogurtes possam indicar a mesma quantidade em gramas, muitas vezes utilizam proteínas de menor valor nutricional.

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“Eles podem usar proteína de baixo valor nutricional. Então, tem gramas de proteína, mas não tem o perfil de aminoácidos adequado”, completa.

Na prática, isso significa menor aproveitamento pelo organismo. O relatório do Idec complementa que o processamento industrial altera a matriz alimentar, o que pode afetar a digestibilidade e a utilização do nutriente pelo corpo em comparação com fontes naturais.

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Aditivos e impacto no organismo

Outro ponto de atenção está na composição desses produtos. Para manter sabor e textura, alimentos “fit” costumam concentrar aditivos como emulsificantes, espessantes e adoçantes artificiais.

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Segundo Magnoni, o consumo frequente dessas substâncias pode afetar diretamente a microbiota intestinal.

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“Nós sabemos que o consumo de adoçantes, emulsificantes, acidulantes, é um fator muito grande de destruição da flora intestinal e está relacionado diretamente com a disbiose intestinal. Existem muitos trabalhos científicos que falam exatamente disso”, afirma.

O nutrólogo destaca que dietas baseadas em alimentos ultraprocessados tendem a comprometer mais a saúde intestinal do que aquelas centradas em comida preparada.

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“As pessoas que têm um consumo aumentado de alimento industrializado têm disbiose intestinal muito mais contundente do que os outros que têm uma alimentação natural”, diz.

Alimentos como arroz, feijão, carne, salada, batata frita, batata cozida e macarrão, segundo ele, reforçam essecontraste.

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Alimentos naturais são mais adequados para o consumo de proteínas. Foto: Reprodução/Freepik

Riscos do consumo frequente

A ideia de que alimentos proteicos podem ser consumidos sem restrição também preocupa especialistas.
O chamado “efeito halo” leva consumidores a associarem o termo “proteico” a um produto automaticamente saudável.

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O levantamento do Idec identificou que 11 produtos analisados induziam ao erro, destacando quantidades de proteína que só seriam atingidas com a adição de outros ingredientes, como ovos, ou por meio de porções irreais para o consumo habitual.

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Magnoni ressalta que não há vantagens comprovadas no consumo prolongado desses itens.

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“A comida natural é mais adequada. Então, saladas, grãos, carne de uma forma geral e sem excesso, são muito melhores do que o consumo de alimentos industrializados fortificados, por exemplo”, afirma.

Ele também alerta para riscos associados ao consumo contínuo de ultraprocessados.

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“Não existem vantagens a longo prazo no consumo desses alimentos, e há sim trabalhos que mostram, principalmente com os enlatados, embutidos, uma maior incidência de câncer intestinal do consumo por longo prazo disso”, completa.

Além disso, o consumo recorrente desses produtos pode contribuir para problemas metabólicos, como resistência à insulina e acúmulo de gordura no fígado.

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Como evitar a armadilha

Diante desse cenário, a principal recomendação é simples: priorizar alimentos in natura e minimizar o consumo de industrializados.

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O Idec alerta que alimentos tradicionalmente saudáveis e minimamente processados, como a tapioca e a pasta de amendoim, estão sendo transformados em ultraprocessados apenas para seguir a tendência de fortificação proteica.

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Magnoni aponta que a leitura dos rótulos é fundamental.

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“Cada vez mais melhorar os rótulos, a lista de ingredientes, tornar mais clara a leitura deles, assim como as pessoas também devem se atentar mais aos rótulos”, diz.

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O nutrólogo também destaca a importância da educação alimentar desde a infância.

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“Se tiverem uma educação nutricional desde a infância, farão escolhas melhores e mais saudáveis”, conclui.