O ator Henri Castelli, um dos integrantes do Big Brother Brasil 26, passou mal e convulsionou duas vezes na tarde desta quarta-feira (14/1). O episódio preocupou os participantes, que demonstraram dúvidas sobre como agir diante da situação. Para esclarecer o que deve ou não ser feito, a Gazeta ouviu o Dr. Edson Issamu, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Segundo o médico, atitudes simples e corretas podem fazer toda a diferença no atendimento inicial e evitar complicações mais graves.
Mantenha a calma e evite traumas
Segundo o neurologista, o primeiro passo ao presenciar uma convulsão é manter a calma. “É fundamental tranquilizar o ambiente e apoiar a pessoa acometida, evitando quedas e traumas, principalmente na cabeça, nos braços e no fêmur”, explica.
Durante a crise, a pessoa perde o controle dos movimentos, o que aumenta o risco de lesões. Por isso, o ideal é afastar objetos próximos e garantir um espaço seguro até que a convulsão cesse.
Posicione a pessoa corretamente
Após o início da crise, a orientação é manter a pessoa deitada e com a cabeça virada para o lado. Essa posição facilita o escoamento da saliva, comum durante convulsões, e reduz o risco de engasgamento.
“O engasgamento pode interferir na respiração e, em alguns casos, levar a complicações como pneumonia”, alerta Issamu.
Segundo ele, a maioria das crises para espontaneamente entre um e três minutos, e manter esses cuidados básicos já representa uma ajuda importante.
O que não deve ser feito em hipótese alguma
O médico reforça que não se deve colocar objetos ou a mão dentro da boca da pessoa em crise.
“Isso não impede o engasgamento e pode causar mordidas graves, fraturas dentárias e lesões nos ossos da mastigação”, afirma.
Também é um erro tentar segurar braços e pernas para conter os movimentos. Além de não controlar a convulsão, essa atitude pode provocar lesões musculares, que geram dor e desconforto após o fim da crise.
Convulsão não é sempre sinônimo de doença grave
Tecnicamente, o termo correto é crise epiléptica, explica o neurologista.
“A crise epiléptica ocorre por um curto-circuito no funcionamento cerebral. Ela pode ter convulsão ou não. Quando há movimentos involuntários, chamamos de crise epiléptica convulsiva”, detalha.
Apesar da associação comum com doenças graves, cerca de 80% das crises não têm causa definida, sendo classificadas como idiopáticas, geralmente de natureza benigna. Em menor número, as crises podem estar ligadas a AVCs, infecções, hemorragias, tumores ou traumas.
Quando procurar atendimento médico
Mesmo com a alta taxa de casos sem causa grave, o especialista é categórico: toda pessoa que apresenta uma crise epiléptica deve ser levada a um pronto-socorro.
“Somente uma avaliação médica pode descartar causas mais complexas e garantir segurança ao paciente”, afirma.
Existem sinais de alerta?
Os chamados sinais de alerta, conhecidos como auras, podem anteceder algumas crises.
“As auras variam muito e não existe um sinal padrão. Apenas pessoas que já convivem com a doença e tiveram várias crises conseguem, em casos específicos, identificar esses sinais”, explica Issamu.
Segundo o neurologista, essa identificação é exceção e não deve ser considerada um padrão para prevenção imediata.
O episódio envolvendo Henri Castelli reacendeu o debate sobre informação e preparo em emergências. Para o especialista, conhecimento e calma são os principais aliados quando se trata de convulsões.
