Marcada por alterações físicas e emocionais nos dias que antecedem a menstruação, a TPM acomete entre 70% e 90% das mulheres em idade reprodutiva, segundo estudo publicado na revista Pensar a Prática.
Ela se manifesta durante a última fase do ciclo menstrual, intitulada lútea, em que os níveis de estrogênio e progesterona passam por oscilações que afetam o sistema nervoso, especialmente neurotransmissores como a serotonina, dopamina e GABA (responsável por regular a ansiedade).
Sintomas comuns na TPM
Embora seja considerado normal, algumas mulheres podem apresentar maior sensibilidade à TPM e reações que variam em intensidade e frequência. Bruno Haddad Ranciaro, ginecologista, lista os sintomas mais comuns, seus impactos.
- Mudanças de humor e na libido;
- Irritabilidade, ansiedade e depressão;
- Acne;
- Sensação de esgotamento;
- Modificações no sono;
- Cólicas;
- Dores de cabeça;
- Desconforto e inchaço nas mamas;
- Inchaço abdominal e possível interferência no peso;
- Aumento do apetite;
- Cansaço e dificuldade de concentração.
Impactos na qualidade de vida
“Para muitas mulheres, a TPM vai além de desconfortos pontuais. Em alguns casos, os sintomas podem ser tão intensos que comprometem atividades simples do dia a dia, impactam a produtividade no trabalho e até favorecem o isolamento social”, afirma o especialista.
O ginecologista continua: “Quando esses sinais passam a interferir na rotina e nas relações, a avaliação médica é fundamental para definir o manejo terapêutico mais adequado”.
Como aliviar os sintomas da TPM
Não existe uma única abordagem capaz de aliviar os sintomas da TPM. Especialistas apontam que a combinação de pequenas mudanças na rotina pode ser uma das formas mais simples e eficazes de reduzir os impactos físicos e emocionais dessa fase.
Bruno Haddad Ranciaro elenca um conjunto de estratégias que podem contribuir para amenizar os sintomas.
O mais importante, segundo o ginecologista, é a adoção de hábitos saudáveis. Os destaques são:
- Manter uma alimentação equilibrada, com baixo consumo de sal, cafeína e doces.
- Praticar atividade física regularmente, como caminhadas ou alongamentos, priorizar uma boa qualidade de sono.
- Adotar estratégias para o gerenciamento do estresse no dia a dia.
Casos graves
O uso de medicamentos, no entanto, às vezes é indispensável. Nos casos moderados a graves, é essencial que a paciente passe por avaliação médica individualizada.
Dependendo do quadro, é possível indicar anticoncepcionais para ajudar a estabilizar os níveis hormonais e antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), que atuam diretamente na regulação do humor, além de analgésicos e anti-inflamatórios para o controle das dores.
O mais importante é que o tratamento seja personalizado e acompanhado de perto por um especialista.
Soluções naturais
A suplementação nutricional e a fitoterapia também podem atuar como aliadas no controle dos sintomas.
Estudos revisados em publicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul indicam que nutrientes como vitamina B6, vitamina D, cálcio e ômega 3 podem contribuir para a regulação do humor, redução de processos inflamatórios e alívio dos desconfortos associados ao ciclo menstrual.
Além disso, a fitoterapia com o uso de chás de camomila, maracujá e maçã apresentou resultados positivos na melhora dos sintomas da TPM, segundo pesquisa publicada na revista Research, Society and Development.



