A gripe pode ser transmitida mesmo quando a pessoa infectada não tosse nem espirra. Um estudo publicado na revista científica PNAS em 2018 identificou que o vírus também se espalha por meio da respiração, ao liberar partículas infecciosas no ar.
A descoberta ajuda a esclarecer como ocorre a transmissão aérea da doença, especialmente em ambientes fechados. Até então, não havia clareza sobre o papel da respiração nesse processo.
Os pesquisadores analisaram a quantidade e a capacidade de infecção do vírus presente no ar exalado por pessoas com sintomas.
Resumo da matéria
- Vírus da gripe pode ser liberado na respiração.
- Tosse e espirro não são indispensáveis para transmissão.
- Ventilação e vacina continuam sendo medidas centrais.
O que os pesquisadores investigaram
O estudo foi conduzido por Donald Milton e sua equipe. Ao todo, 142 pessoas participaram da pesquisa após apresentarem os primeiros sintomas de gripe.
Os voluntários forneceram amostras de respiração expirada, além de registros de tosse espontânea e espirros. A coleta ocorreu no primeiro, segundo e terceiro dias de sintomas, fase considerada mais crítica para disseminação do vírus.
O objetivo era medir a presença de partículas virais e verificar se elas permaneciam infecciosas ao serem liberadas no ar.
Respirar já pode espalhar o vírus
Os resultados mostraram que 39% das amostras de partículas provenientes apenas da respiração continham vírus infecciosos.
Segundo os autores, isso demonstra que uma parcela significativa dos casos de gripe libera partículas pequenas o suficiente para permanecer suspensas no ar por determinado tempo.
Essas partículas podem circular em ambientes com pouca ventilação, elevando o risco de contágio mesmo sem contato direto.
Tosse e espirro não são determinantes
Um dos achados considerados mais relevantes foi a baixa relação entre tosse e maior transmissão do vírus. Os espirros também não apresentaram associação significativa com aumento do risco.
De acordo com os cientistas, os dados indicam que tossir ou espirrar não são condições necessárias para que partículas infecciosas sejam geradas.
Na prática, falar, respirar ou permanecer em um ambiente fechado já pode contribuir para a disseminação da gripe.
Impacto nas medidas de prevenção
As conclusões podem aprimorar modelos matemáticos usados para estimar o risco de transmissão da gripe pelo ar.
Também podem orientar intervenções de saúde pública, especialmente em locais como escritórios, salas de aula e vagões de metrô, onde a circulação de pessoas é intensa.
Melhorias na ventilação desses espaços podem diminuir a concentração de partículas virais suspensas.
O que fazer para reduzir o risco
Enquanto estratégias estruturais são discutidas, recomendações individuais continuam válidas. Assim como no caso do resfriado, permanecer em casa ao apresentar sintomas reduz a circulação do vírus.
A vacinação também permanece essencial. Embora não elimine totalmente a possibilidade de infecção, a vacina previne uma quantidade significativa de casos graves.
Ambientes ventilados, higiene frequente das mãos e atenção aos primeiros sintomas continuam sendo medidas eficazes.
Perguntas frequentes sobre transmissão da gripe
1. Posso pegar gripe sem ninguém tossir perto de mim?
Sim. O estudo mostra que a respiração pode liberar partículas infecciosas capazes de transmitir o vírus.
2. O vírus fica no ar por muito tempo?
Partículas pequenas podem permanecer suspensas por um período, especialmente em locais fechados e com pouca ventilação.
3. Falar também pode espalhar o vírus?
Como a respiração libera partículas, atividades como falar podem contribuir para a disseminação.
4. Melhorar a ventilação realmente ajuda?
Sim. Ambientes com circulação de ar reduzem a concentração de partículas infecciosas.
5. A vacina ainda é recomendada?
Sim. Ela reduz o risco de complicações e casos graves, sendo uma das principais formas de proteção.


