Por muito tempo, a manteiga figurou na lista de vilãs da alimentação saudável, associada ao aumento do colesterol e a riscos cardiovasculares. Estudos mais recentes, porém, vêm relativizando esse estigma e reacendendo a discussão sobre o papel das gorduras naturais no dia a dia.
A nutricionista espanhola Sandra Moñino, especializada em inflamação e autora do livro Adeus à Inflamação, resume essa mudança de perspectiva ao afirmar:
“Uma fatia de pão torrado com manteiga é tão saudável quanto uma com azeite extra virgem”, desde que haja tolerância aos laticínios e atenção à qualidade do produto, disse ao portal Tudo Gostoso.
Menor incidência de diabetes tipo 2
Segundo ela, a comparação não deve ser feita de forma absoluta.
“Se você tolera laticínios, então sim. Algumas pessoas não toleram bem leite, então é como perguntar: ‘Comer queijo faz bem?Faz, se você tolera. Se não tolera leite de vaca, a manteiga não é a melhor opção. Escolha manteiga de leite de cabra ou de ovelha, ou, se não encontrar, use ghee, que é manteiga clarificada.”
Produzida a partir da gordura do leite, a manteiga é um alimento minimamente processado. O problema, segundo Moñino, não está nela em si, mas no consumo excessivo e na escolha de versões industrializadas.
Revisões científicas recentes indicam que o consumo moderado não aumenta de forma significativa o risco de infarto ou AVC e pode até estar associado a menor incidência de diabetes tipo 2.
Apenas leite ou creme
“Um tipo de gordura que eu gosto é a manteiga, e muita gente vai dizer: ‘Nossa, ela disse manteiga!’ Mas a regra é simples: escolha uma manteiga mais natural, com bons ingredientes e se for de cabra ou ovelha, melhor ainda.”
A recomendação é optar por produtos feitos apenas com leite ou creme, sem aditivos, conservantes ou óleos hidrogenados. No contraponto, a margarina surgiu historicamente como alternativa considerada mais saudável, mas carrega um passado controverso.
Durante décadas, foi produzida com óleos vegetais industrializados ricos em gorduras trans, hoje reconhecidas como prejudiciais à saúde. Mesmo com reformulações recentes, Moñino alerta para a importância de ler rótulos, já que muitos produtos ainda utilizam óleos altamente processados.
Atenção aos ingredientes
A manteiga ghee aparece como uma opção intermediária. Ao ser clarificada, perde praticamente toda a lactose e a caseína, tornando-se mais tolerável para algumas pessoas. “A ghee é uma versão mais pura da manteiga e, consumida com moderação, pode ser uma boa alternativa”, afirma a nutricionista.
No fim, a escolha entre manteiga, azeite, ghee ou margarina passa menos por rótulos fixos de “bom” ou “ruim” e mais por qualidade, quantidade e resposta individual do organismo.
Como resume Moñino, equilíbrio, informação e atenção aos ingredientes continuam sendo os pilares de uma alimentação saudável.
**Texto com informações do portal Tudo Gostoso.
