Conheça o Cemitério de Árvores da Patagônia, criado por prisioneiros e hoje aberto à visitação

Bosque preserva milhares de troncos cortados por detentos da antiga prisão de Ushuaia e pode ser visitado durante o passeio do Trem do Fim do Mundo

Paisagem no Parque Nacional da Terra do Fogo revela marcas do trabalho forçado de presos em Ushuaia (Foto: Martin.que/Pexels)

Paisagem no Parque Nacional da Terra do Fogo revela marcas do trabalho forçado de presos em Ushuaia (Foto: Martin.que/Pexels)

No extremo sul da Argentina, dentro do Parque Nacional da Terra do Fogo, uma paisagem impressiona visitantes pela aparência amedrontadora.

Continua após a publicidade

Em vez de uma floresta densa, existem milhares de troncos com menos de 50 centímetros espalhados pelo terreno, formando um cenário conhecido como Cemitério de Árvores.

Localizada na Patagônia, a área preserva marcas deixadas pelo trabalho forçado de presos que viveram em Ushuaia durante a primeira metade do século 20.

Hoje, o local funciona como um verdadeiro registro da história da cidade e pode ser observado durante o passeio do Trem do Fim do Mundo, que recebeu esse nome por passar por pontos famosos de Ushuaia, a cidade mais ao sul do planeta.

Continua após a publicidade

Floresta fantasma virou atração turística

O Cemitério de Árvores surgiu quando os presos da antiga prisão de Ushuaia eram levados diariamente até as margens do rio Pipo para cortar lenha.

A madeira abastecia a cidade durante os invernos rigorosos e também era usada na construção de prédios e do próprio presídio.

Para facilitar o transporte desse material, os detentos construíram uma ferrovia que ficou conhecida como Trem dos Presos. Décadas depois, parte do trajeto foi recuperada e deu origem ao atual Trem do Fim do Mundo, que percorre os últimos 7 km da antiga rota.

Continua após a publicidade

Por que a floresta permanece praticamente igual

Mesmo após o encerramento da prisão em 1947, a vegetação não voltou a ocupar a área da mesma forma.

Segundo o portal oficial do Trem do Fim do Mundo, o motivo está no tipo de solo da região, formado por uma camada rica em matéria orgânica que funciona como uma esponja e permanece encharcada durante grande parte do ano.

Sem as árvores adultas, esse ambiente perdeu parte do equilíbrio necessário para favorecer o nascimento de novas plantas.

Continua após a publicidade

Outra possível explicação

Espécies típicas da Terra do Fogo, como a lenga e o guindo, também crescem muito lentamente por causa do clima subantártico.

Com o passar dos anos, os brotos ficaram expostos aos ventos fortes, às baixas temperaturas e às nevascas, fatores que dificultaram ainda mais a regeneração natural da floresta.

Embora o reflorestamento pareça uma solução, a área não recebe esse tipo de intervenção. O local foi preservado como um museu para preservar a memória do trabalho realizado pelos presos e mostrar aos visitantes como era a paisagem criada durante aquele período.

Continua após a publicidade

Passeio no Trem do Fim do Mundo

A forma mais conhecida de visitar o Cemitério de Árvores é embarcando no Trem do Fim do Mundo. O percurso dura cerca de duas horas e atravessa o vale do rio Pipo, passando pela Cachoeira La Macarena, pela floresta de lengas e pelo antigo bosque devastado antes de chegar ao Parque Nacional da Terra do Fogo.

O passeio possui diferentes categorias de serviço, com ingressos a partir de 65 mil pesos argentinos (cerca de R$ 227,13) para brasileiros, valor que pode variar conforme a classe escolhida e a época do ano.

O trem parte da Estação do Fim do Mundo, localizada a cerca de 8 km do centro de Ushuaia.