No extremo sul da Argentina, dentro do Parque Nacional da Terra do Fogo, uma paisagem impressiona visitantes pela aparência amedrontadora.
Em vez de uma floresta densa, existem milhares de troncos com menos de 50 centímetros espalhados pelo terreno, formando um cenário conhecido como Cemitério de Árvores.
Localizada na Patagônia, a área preserva marcas deixadas pelo trabalho forçado de presos que viveram em Ushuaia durante a primeira metade do século 20.
Hoje, o local funciona como um verdadeiro registro da história da cidade e pode ser observado durante o passeio do Trem do Fim do Mundo, que recebeu esse nome por passar por pontos famosos de Ushuaia, a cidade mais ao sul do planeta.
Floresta fantasma virou atração turística
O Cemitério de Árvores surgiu quando os presos da antiga prisão de Ushuaia eram levados diariamente até as margens do rio Pipo para cortar lenha.
A madeira abastecia a cidade durante os invernos rigorosos e também era usada na construção de prédios e do próprio presídio.
Para facilitar o transporte desse material, os detentos construíram uma ferrovia que ficou conhecida como Trem dos Presos. Décadas depois, parte do trajeto foi recuperada e deu origem ao atual Trem do Fim do Mundo, que percorre os últimos 7 km da antiga rota.
Por que a floresta permanece praticamente igual
Mesmo após o encerramento da prisão em 1947, a vegetação não voltou a ocupar a área da mesma forma.
Segundo o portal oficial do Trem do Fim do Mundo, o motivo está no tipo de solo da região, formado por uma camada rica em matéria orgânica que funciona como uma esponja e permanece encharcada durante grande parte do ano.
Sem as árvores adultas, esse ambiente perdeu parte do equilíbrio necessário para favorecer o nascimento de novas plantas.
Outra possível explicação
Espécies típicas da Terra do Fogo, como a lenga e o guindo, também crescem muito lentamente por causa do clima subantártico.
Com o passar dos anos, os brotos ficaram expostos aos ventos fortes, às baixas temperaturas e às nevascas, fatores que dificultaram ainda mais a regeneração natural da floresta.
Embora o reflorestamento pareça uma solução, a área não recebe esse tipo de intervenção. O local foi preservado como um museu para preservar a memória do trabalho realizado pelos presos e mostrar aos visitantes como era a paisagem criada durante aquele período.
Passeio no Trem do Fim do Mundo
A forma mais conhecida de visitar o Cemitério de Árvores é embarcando no Trem do Fim do Mundo. O percurso dura cerca de duas horas e atravessa o vale do rio Pipo, passando pela Cachoeira La Macarena, pela floresta de lengas e pelo antigo bosque devastado antes de chegar ao Parque Nacional da Terra do Fogo.
O passeio possui diferentes categorias de serviço, com ingressos a partir de 65 mil pesos argentinos (cerca de R$ 227,13) para brasileiros, valor que pode variar conforme a classe escolhida e a época do ano.
O trem parte da Estação do Fim do Mundo, localizada a cerca de 8 km do centro de Ushuaia.









