‘Cidade da Aventura’, a 2h de São Paulo, abriga o maior balanço da América do Sul

Veja o que fazer em Socorro, como chegar, como é o clima ao longo do ano e o que levar para aproveitar a viagem com mais conforto

Maior balanço da América do Sul, no Parque Pedra Bela Vista, em Socorro

Maior balanço da América do Sul, no Parque Pedra Bela Vista, em Socorro | Vitoria Estrela/Gazeta de S. Paulo

A cerca de 130 km da capital paulista, Socorro é conhecida em todo o Brasil como a “Cidade da Aventura”.

O destino reúne atividades como rapel, rafting, mountain bike, tirolesa e off-road, além de cachoeiras e trilhas para quem busca desafios.

Mas o município não se resume à adrenalina. Segundo Ronaldo Aparecido, dono da escola de voo livre Ronaventura e presidente da Associação de Turismo da Estância de Socorro (Astur), há espaço para diferentes públicos.

“A cidade comporta de tudo. Vêm famílias, casais e pessoas com diferentes perfis de renda. Isso porque ela tem várias opções de compras, gastronomia, turismo rural e hotelaria”, disse ele, em entrevista à Gazeta

‘Cidade da Aventura’

Botes usados no rafting no Parque Aui MauêBotes usados para praticar rafting no Parque Aui Mauê (Foto: Vitoria Estrela/Gazeta de S. Paulo)

Assim como Brotas (SP), Socorro é famosa pelas atividades que fazem qualquer um virar religioso por alguns minutos, seja na terra, na água ou no ar.

No Pico da Cascavel, a 1.200 metros do nível do mar, os saltos de parapente e de asa delta realizados pela Ronaventura têm vista privilegiada da Serra da Mantiqueira.

Outra atração imperdível de Socorro é o maior balanço da América do Sul, o Swing Rock, que fica a 150 metros de altura, no topo do Parque Pedra Bela Vista.

“Como a grande maioria das coisas aqui, a ideia foi minha. Eu fiz o primeiro projeto, o engenheiro redesenhou e partimos para a construção”, relatou Daniel Rosa, proprietário do parque.

No Parque Pedra Bela Vista, você também encontra atrações como rapel, rock view, estande de tiro e trekking das grutas.

Para os medrosos de plantão, em Socorro também existem opções menos intimidadoras, como o rafting, que consiste na descida radical de rios em botes infláveis.

O esporte é praticado com operadoras especializadas como o Parque Aui Mauê e o Parque Próxima Aventura Canoar.

Quando o nível do Rio do Peixe está razoável, muitas pessoas encaram a atração com tranquilidade.

“O mais desafiador é o visual. O pessoal olha e acha que é difícil, só que na hora em que eles estão na água, veem que é totalmente diferente. Tem adrenalina, tem segurança, tem emoção. Por isso, muita gente quer fazer de novo”, contou Augusto Bazani, dono do Parque Aui Mauê.

Em terra firme, o destaque vai para o off-road (fora da estrada), que consiste na condução de veículos em terrenos não pavimentados, como lama, areia, rochas e terra.

Certificada pela ABNT, a pista do Camptraining Off-Road é quase obrigatória para quem precisa treinar a condução de veículos 4×4 antes de visitar lugares inóspitos.

Hospedagem futurista

Visão externa da SkyCapsule instalada no Hotel Colina dos Sonhos Visão externa da SkyCapsule instalada no Hotel Colina dos Sonhos (Foto: Vitoria Estrela/Gazeta de S. Paulo)

Apesar do clima rural, Socorro também aposta em novidades, como a SkyCapsule instalada no Hotel Colina dos Sonhos.

O modelo de hospedagem é recente. Cada unidade possui cama, frigobar, banheiro privativo, ar-condicionado e ambientação personalizada.

Com um simples comando à Alexa, o teto da cápsula se abre e revela o céu estrelado, comum nas cidades do interior.

A influenciadora Mabi Gonçalves (@mabiporai_) passou quatro dias no local e relatou a experiência à Gazeta:

“Eu gostei bastante. Toda a lateral é de vidro, tem os comandos para fechar a cortina e a luz não atrapalha. A vista é muito bonita. De dia, dá para ver a cidade e a Serra. À noite aparecem as luzinhas das casas, e o teto solar pode ser aberto para ver as estrelas”.

Além da inovação com as cápsulas, a cidade ainda pretende construir a maior tirolesa do mundo, desafiando o posto atual de Jebel Jais, nos Emirados Árabes.

Gastronomia de Socorro

Jantar no Hotel Recanto da CachoeiraJantar no Hotel Recanto da Cachoeira (Foto: Vitoria Estrela/Gazeta de S. Paulo)

Seja nos hotéis, parques ou restaurantes independentes, a gastronomia também está entre os motivos para visitar Socorro.

Para o guia gastronômico Luis Zenga (@conceito_deluxo), os estabelecimentos seguem uma linha parecida, mas mantêm qualidade e sabor.

“É uma comida caseira, com aquele gostinho de comida de vó. O prato que eu mais gostei foi a costela da Casa Bazani, no Parque Aui Mauê. Também me chamaram atenção as saladas da cidade, tudo muito natural, com verduras orgânicas. Não sou vegetariano, mas acho que o vegetariano aqui vai se dar muito bem”.

Como Zenga comenta, um dos diferenciais de Socorro está nos produtos orgânicos, como frutas e verduras colhidas e preparadas na própria cidade.

Em locais como o Restaurante Ancestral, no Parque Pedra Bela Vista, os pratos ainda são feitos na brasa. O espaço também oferece o pão de palo, preparado na fogueira pelo próprio cliente, que depois escolhe o recheio, doce ou salgado.

“Isso é uma experiência que mexe com você, é muito gostosa. Essas experiências somadas [aventura e gastronomia] transmitem uma vibração única” contou Daniel Rosa.

Opções de bebidas

Adega subterrânea no Hotel Colina dos SonhosAdega subterrânea no Hotel Colina dos Sonhos (Foto: Vitoria Estrela/Gazeta de S. Paulo)

Já no Hotel Recanto da Cachoeira, o momento da refeição é enriquecido por uma cachoeira imponente, que é o chamariz do estabelecimento.

O espaço também abriga a Le Coq Vinheria, que produz, comercializa e promove degustações de vinhos brasileiros e internacionais, mesmo para quem não está hospedado.

Em entrevista à Gazeta, o enólogo Felipe Wertheimer detalhou a experiência de comandar a vinheria.

“A gente tem um grupo na cidade de experiências gastronômicas para criar eventos personalizados e atrair quem vem visitar Socorro” disse ele.

“Quem vai para uma cidade do interior referência em gastronomia sabe que vai encontrar várias opções. Socorro ainda não é tão conhecida assim, mas queremos mostrar que também tem potencial para chegar lá”, completou.

No Hotel Colina dos Sonhos, o destaque vai para a adega subterrânea, onde os visitantes podem participar de degustações de vinhos acompanhadas por diferentes tipos de queijos.

Já para quem é do time dos destilados, o Restaurante e Cachaçaria Santo Mé oferece almoço e uma carta com mais de 50 rótulos, entre bebidas clássicas e autorais, disponíveis para degustação e compra.

Estância turística de Socorro (Infográfico: Gazeta de S. Paulo)

Como chegar em Socorro?

  • De São Paulo (130 km – 2h/2h30), o caminho mais comum é pelas rodovias Fernão Dias, Rodovia Anhanguera ou Bandeirantes, seguindo depois por acessos estaduais até o destino.
  • Do Rio de Janeiro (450 km – 5h30/6h), o trajeto é pela Rodovia Presidente Dutra até a conexão com a Rodovia Fernão Dias, já em direção ao interior paulista.
  • De Belo Horizonte (500 km – 6h/7h), a rota é direta pela Rodovia Fernão Dias, sentido São Paulo, com continuidade por rodovias estaduais até a chegada.

Vale lembrar que, a partir de diversas regiões do Brasil, também há opções de ônibus intermunicipais e interestaduais. Em geral, os veículos deixam os passageiros na rodoviária com fácil acesso ao centro da cidade.

Como é o clima de Socorro?

Em Socorro, o clima varia bastante ao longo do ano. Veja como se comporta cada estação, conforme o Climatempo e relatos dos moradores:

  • Verão: mais quente e chuvoso, com temperaturas entre 18°C e 30°C e pancadas no fim da tarde.
  • Outono: período de transição, com clima ameno e diminuição gradual das chuvas.
  • Inverno: estação mais seca, com madrugadas frias que podem ficar abaixo dos 10°C e até próximo de 0°C.
  • Primavera: temperaturas em elevação e retorno das chuvas, especialmente a partir de novembro.

O que saber antes de visitar Socorro?

Mesmo no verão, é comum enfrentar calor durante o dia e frio à noite. Por isso, vale levar roupas adequadas para diferentes condições.

Antes de viajar, confira a previsão do tempo, pois chuva e vento podem atrapalhar as atividades de aventura.

Também é importante checar o veículo, já que muitas atrações ficam em áreas rurais com estradas de terra e exigem preparo.

Com roupas adequadas, carro em boas condições e disposição para explorar, a experiência na cidade tende a ser ainda mais proveitosa.

Repórter viajou a convite da Associação de Turismo da Estância de Socorro (ASTUR).