‘Cidade do meteoro’ abriga cratera rara de 12 km que está no radar da NASA

Chamada de Domo de Vargeão, a estrutura é objeto de estudo há mais de 40 anos e coloca a região no centro do turismo científico global

Vargeão, uma pequena cidade com cerca de 3,6 mil habitantes no oeste de Santa Catarina, guarda em seu solo um dos registros geológicos/Reprodução/YouTube

Vargeão, uma pequena cidade com cerca de 3,6 mil habitantes no oeste de Santa Catarina, guarda em seu solo um dos registros geológicos mais raros e impactantes do planeta.

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O município está situado exatamente sobre uma cratera de 12 quilômetros de diâmetro, formada pela queda de um asteroide ocorrida há cerca de 80 a 100 milhões de anos, durante o período Cretáceo.

Chamada de Domo de Vargeão, a estrutura é objeto de estudo há mais de 40 anos e coloca a região no centro do turismo científico global.

Um impacto equivalente a 500 mil bombas atômicas

As investigações científicas, lideradas pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, da Unicamp, revelam que a rocha espacial tinha entre 550 e 800 metros de diâmetro quando atingiu o solo.

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O impacto foi tão devastador que liberou uma energia equivalente a 500 mil bombas nucleares como a que atingiu Hiroshima, no Japão.

A força do choque foi capaz de deformar as rochas de maneira permanente e expor camadas do solo que antes estavam a mais de 700 metros de profundidade, como o arenito do Aquífero Guarani.

Essa “assinatura” geológica é o que comprova que o local não é uma formação vulcânica, mas sim um astroblema, que é o nome dado às cicatrizes deixadas por impactos celestes.

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Laboratório natural para o estudo de Marte e da Lua

O tipo de rocha local no Domo de Vargeão é o que torna a descoberta ainda mais especial para a comunidade científica internacional, incluindo pesquisadores da NASA, é o tipo de rocha local.

Existem apenas cerca de 200 crateras de impacto catalogadas na Terra, e Vargeão é uma das quatro únicas no mundo formadas sobre basalto.

Como o basalto é a rocha predominante na superfície da Lua e de Marte, a cratera catarinense permite que cientistas estudem fenômenos espaciais sem sair do planeta. Em 2026, pesquisadores italianos visitaram a cidade para coletar amostras e compará-las ao solo lunar.

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Recentemente, os pesquisadores da agência espacial também descobriram a existência de cavernas gigantes em Vênus, a partir de informações antigas.

Turismo e novo museu tecnológico

A prefeitura de Vargeão busca consolidar o município como um destino turístico permanente. Atualmente, o centro da zona urbana fica estrategicamente na borda da cratera, permitindo que visitantes observem a formação geológica.

Entre os pontos de interesse está um novo museu, projetado para inaugurar entre julho e agosto de 2026. O espaço contará com tecnologia 3D e recursos interativos para popularizar a história da cratera.

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Outros pontos de destaque são as cachoeiras e o mirante, pontos de observação da natureza local, e o Areal, uma superfície de argila e areia trazida à superfície pelo impacto.

Além disso, tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) um projeto para reconhecer oficialmente Vargeão como a “Capital Catarinense do Meteorito”. Para os especialistas, a cratera é um “presente da natureza” que ajuda a compreender a evolução da história do nosso planeta.