Os empregados da Caixa Econômica Federal entram em greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10/9), após rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
As negociações entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores foram retomadas na quarta-feira (9/9), mas terminaram sem acordo. Uma nova rodada está prevista para a manhã desta quinta.
Mesmo com a continuidade das negociações, a paralisação está mantida até que uma eventual nova proposta seja apresentada aos trabalhadores e submetida à votação em assembleias.
Saúde Caixa é principal ponto de divergência
O principal impasse nas negociações envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados da instituição.
Atualmente, os trabalhadores pagam uma contribuição equivalente a 3,5% do salário-base, além de uma cobrança mensal de R$ 480 por dependente.
Para dependentes entre 24 e 27 anos, o valor atualmente é de R$ 800 por mês.
A proposta apresentada pela Caixa prevê aumentar a contribuição sobre o salário-base para 5,5%. A cobrança por dependente passaria para R$ 870 e, na faixa de maior cobrança, para R$ 1.050.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, cerca de 90% dos votos nas assembleias rejeitaram a proposta. A entidade afirma que as mudanças no Saúde Caixa foram o principal motivo para a rejeição.
Além do plano de saúde, os empregados apresentaram outras reivindicações para a renovação do ACT, que reúne cláusulas específicas dos trabalhadores da Caixa.
Negociação continua durante a greve
A Caixa reabriu as negociações na quarta-feira (9/9), depois de receber o resultado das assembleias realizadas pelos empregados.
Na primeira rodada, o banco não apresentou uma nova proposta, mas informou que pretende avançar nas conversas com as entidades que representam os trabalhadores.
Em posicionamento citado no material da negociação, a Caixa afirma que mantém o diálogo aberto e busca um acordo que considere os interesses dos empregados, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços.
A negociação específica da Caixa ocorre separadamente das regras gerais da categoria bancária.
O banco discute com os representantes dos trabalhadores tanto questões relacionadas à Convenção Coletiva de Trabalho quanto cláusulas próprias da instituição.
O que muda para os clientes da Caixa?
A greve pode afetar o atendimento presencial nas agências da Caixa durante a paralisação.
Os serviços digitais, porém, continuam disponíveis. A orientação do banco é que os clientes utilizem alternativas como o aplicativo, o internet banking, os correspondentes bancários e os canais de atendimento telefônico.
Quem precisa pagar contas, boletos, tributos ou outros compromissos deve utilizar os canais disponíveis para evitar atrasos durante o período de paralisação.
A extensão dos impactos no atendimento presencial pode variar conforme a adesão dos empregados à greve em cada localidade.
Outros bancos também negociaram acordos
A paralisação na Caixa ocorre depois de a categoria bancária avançar nas negociações gerais.
A nova Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários foi assinada na quarta-feira (9/9) e prevê reposição da inflação medida pelo INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027.
Na Caixa, entretanto, ainda falta concluir o acordo específico dos empregados.
O impasse em torno do Saúde Caixa impediu a aprovação da proposta apresentada pelo banco e levou os trabalhadores a manterem a paralisação por tempo indeterminado.
Uma nova rodada de negociação está prevista para a manhã desta quinta-feira (10/9). A continuidade da greve dependerá das negociações e de eventual proposta que seja posteriormente submetida à decisão dos trabalhadores.
