Copa de 2026 deve lotar bares e restaurantes, mas especialistas alertam para risco de prejuízo

Setor de food service se prepara para um período de alta demanda impulsionado pelas transmissões dos jogos

Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, deve mobilizar milhares de brasileiros

Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, deve mobilizar milhares de brasileiros | Divulgação/Fifa

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 deve aumentar o movimento em bares e restaurantes brasileiros, mas especialistas alertam que o crescimento no fluxo de clientes não significa, necessariamente, maior lucro para os estabelecimentos.

O setor de food service se prepara para um período de alta demanda impulsionado pelas transmissões dos jogos, enquanto empresários ainda enfrentam desafios relacionados à contratação de funcionários, operação e custos.

Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 61% dos empresários do segmento relatam dificuldade para contratar trabalhadores, cenário que pode aumentar os riscos operacionais durante grandes eventos esportivos.

Ao mesmo tempo, projeções da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam que o e-commerce brasileiro deve ultrapassar R$ 234 bilhões em 2026, ampliando a pressão sobre bares e restaurantes por mais agilidade, integração digital e eficiência no atendimento.

Segundo Athos Vilarins, fundador do Grupo Alpha, muitos estabelecimentos conseguem lotar durante partidas importantes, mas enfrentam perdas financeiras causadas por atrasos, desperdícios, falhas na comunicação entre salão e cozinha e dificuldades na integração com pedidos digitais.

“O aumento do público durante a Copa não garante rentabilidade. O lucro depende diretamente da organização operacional, da velocidade do atendimento e da experiência entregue ao cliente”, afirma.

Estratégias para evitar prejuízos durante a Copa

Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram crescimento recente do setor de alimentação fora do lar, impulsionado pela retomada do consumo presencial, expansão do delivery e consolidação dos pagamentos digitais.

Especialistas do setor apontam que a experiência do consumidor passou a ser um diferencial competitivo também durante eventos esportivos. Além do ambiente, clientes avaliam rapidez no atendimento, facilidade para fazer pedidos e integração entre canais físicos e digitais.

Entre as estratégias consideradas essenciais para bares e restaurantes durante a Copa estão o reforço no treinamento das equipes, planejamento de estoque, integração entre delivery e salão, ações de fidelização e melhorias na experiência de atendimento.

Empresários também têm revisado cardápios para priorizar produtos de preparo mais rápido e maior margem operacional em dias de jogos, reduzindo gargalos na cozinha e aumentando a capacidade de atendimento.

A avaliação do setor é que grandes eventos esportivos podem gerar aumento significativo no faturamento, mas estabelecimentos que não conseguem alinhar operação, tecnologia e experiência do consumidor tendem a enfrentar queda nas margens de lucro mesmo com casas cheias.